O governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou neste domingo (16) que as investigações sobre a suposta perseguição policial ao motorista do candidato Fernando Haddad (PT) indicam que o relato pode se tratar de uma "falsa comunicação de crime". Segundo o governador, a Polícia Civil já analisou imagens de mais de 70 câmeras de segurança e dados de geolocalização das viaturas, não encontrando evidências que corroborem a denúncia.
Investigação técnica e monitoramento
Tarcísio enfatizou que o caso está sendo tratado com "a maior responsabilidade" e garantiu que, se houvesse qualquer desvio de conduta por parte dos policiais, os responsáveis seriam punidos severamente. No entanto, o governador detalhou que as evidências colhidas até o momento apontam para uma divergência entre a versão apresentada e os fatos registrados pelos sistemas de monitoramento.
"A gente está apurando isso com a maior responsabilidade do mundo [...] mas tudo está mostrando que não houve absolutamente nada e se trata, no final das contas, de uma falsa comunicação", declarou Tarcísio.
De acordo com levantamentos realizados, as imagens mostram que o Ford Fusion conduzido pelo motorista de Haddad circulou por vias como a Avenida 23 de Maio sem ser acompanhado por outros veículos. Dados de GPS confirmam que as viaturas que circulavam na região na ocasião estavam em patrulhamento de rotina, sem realizar abordagens ou perseguição ao veículo do candidato.
Próximos passos
Com o inquérito em andamento na Polícia Civil, a autoridade policial deve intimar o motorista para prestar depoimento formal nos próximos dias. Caso seja comprovado que houve a intenção de provocar a ação da autoridade comunicando um crime inexistente, o motorista poderá ser responsabilizado.
No Código Penal brasileiro, o artigo 340 prevê o crime de "comunicação falsa de crime ou de contravenção", definido como o ato de provocar a ação de autoridade, comunicando-lhe a ocorrência de um crime que sabe não ter ocorrido. A pena para essa conduta é de detenção, de um a seis meses, ou multa.
Relembre o caso
O incidente foi relatado por Fernando Haddad na última terça-feira (11). O ex-ministro afirmou que seu motorista teria sido abordado e seguido de forma "intimidadora" por uma viatura da Polícia Militar após deixá-lo em casa. Haddad alegou que, na ocasião, o condutor teria ficado muito abalado com a postura dos agentes.
O episódio também motivou a atuação do Ministério Público Eleitoral (MPE), que solicitou esclarecimentos ao governo estadual para verificar se a ação configuraria eventual abuso de poder político ou de autoridade. Até o momento, a defesa do motorista não se manifestou publicamente sobre as novas declarações do governador.
Este conteúdo foi produzido com base em informações oficiais e apurações das autoridades de segurança pública do Estado de São Paulo.