Em entrevista ao vivo concedida ao podcast Flow na noite desta quinta-feira (1º) — mesmo horário originalmente reservado para o debate presidencial da TV Globo —, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, afirmou que o Supremo Tribunal Federal (STF) está perdendo a “credibilidade na sociedade”. O chefe do Executivo fez duras críticas à atuação dos ministros e às transmissões promovidas pela TV Justiça durante os julgamentos da Corte.
As declarações ocorrem em meio a um momento de forte tensão institucional envolvendo os magistrados do STF, marcado por embates públicos e discussões sobre investigações internas.
"Voto mequetrefe que demora 5 horas", dispara Lula sobre o STF
Durante a entrevista no canal do YouTube, o candidato do PT questionou a exposição midiática das sessões do Supremo e defendeu que as votações deveriam ser mais objetivas e céleres. Para Lula, a transmissão aberta dos debates judiciais contribui para desgastar a imagem do Tribunal perante a população:
“O que está acontecendo está levando a Suprema Corte a perder credibilidade na sociedade. Depois que criaram a TV Justiça, para ficar divulgando aquela briga deles, cada um mais enérgico do que o outro, cada um querendo fazer discurso de 2, 3 horas. Voto mequetrefe que poderia durar 5 minutos, demora 5 horas. Tudo isso depõe contra eles”, declarou o presidente.
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A crítica de Lula reflete um descontentamento recorrente no meio político em relação ao protagonismo individual assumido por integrantes do STF nas transmissões televisivas do plenário.
A estratégia do 'Flow sim, na Globo não'
A presença de Lula no Flow Podcast havia sido anunciada formalmente na quarta-feira (30), véspera da data marcada para o debate da TV Globo. A decisão do comando da campanha petista de agendar uma entrevista exclusiva pela internet no exato horário do programa da emissora carioca já sinalizava que o presidente não pretendia comparecer ao encontro com seus adversários.
A tática repete o movimento adotado em agosto, durante o debate promovido pela TV Band. Naquela oportunidade, o presidente também declinou do convite para o confronto coletivo e optou por conceder uma entrevista exclusiva à TV Record no mesmo horário.
O cancelamento do debate e a reviravolta jurídica
A participação de Lula no programa da internet ocorreu simultaneamente ao anúncio oficial do cancelamento do debate da TV Globo. O encerramento do evento foi comunicado pela própria emissora após uma sequência de decisões judiciais de última hora e baixas entre os convidados:
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Proibição de constrangimento: A ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), acatou pedido da coligação de Lula para proibir a exibição do púlpito vazio com o nome do presidente e vedar que os candidatos presentes fizessem perguntas direcionadas ao ausente.
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Inclusão de novo candidato: O ministro Gilmar Mendes, do STF, determinou a inclusão obrigatória de Renan Santos (Missão) no debate, alterando o número de participantes.
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Desistência de oponente: Poucas horas antes do horário previsto para o início da transmissão, o senador Flávio Bolsonaro (PL), principal adversário de Lula, anunciou que também não compareceria ao estúdio.
Em nota oficial, a TV Globo lamentou o cancelamento e justificou a medida alegando que as liminares judiciais criaram um ambiente de "insegurança jurídica" e representaram uma "interferência indevida na liberdade dos veículos de imprensa".
Eleições 2026: Reta final para o primeiro turno
Com o cancelamento do último grande debate de televisão, os candidatos voltam suas atenções para as movimentações de rua e inserções finais de propaganda na véspera da votação.
O primeiro turno das Eleições 2026 ocorre no próximo domingo (4). Cerca de 150 milhões de eleitores brasileiros estão aptos a ir às urnas para escolher representantes em seis cargos públicos. A Justiça Eleitoral orienta os eleitores a levarem uma "colinha" em papel com a ordem correta de votação na urna eletrônica:
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Deputado Federal — 4 dígitos
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Deputado Estadual ou Distrital — 5 dígitos
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Senador (Primeira vaga) — 3 dígitos
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Senador (Segunda vaga) — 3 dígitos
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Governador — 2 dígitos
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Presidente da República — 2 dígitos