STF realiza sessão extraordinária decisiva sobre abertura de investigação contra Alexandre de Moraes no Caso Master

O Supremo Tribunal Federal (STF) realiza, nesta terça-feira (15), a partir das 10h, uma sessão extraordinária no plenário para definir se autoriza a abertura de um inquérito contra o ministro Alexandre de Moraes. A análise ocorre no âmbito do chamado "Caso Master" e tem como estopim um relatório da Polícia Federal (PF) que identificou 52 mensagens enviadas ao magistrado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. O documento da PF detalha as investidas do empresário, mas não indica o teor das eventuais respostas do ministro.

Pautada pelo presidente da Corte e novo relator do processo, ministro Edson Fachin, a Petição (PET) nº 16.662 será o centro dos debates. No entanto, o clima nos bastidores da Praça dos Três Poderes é de tensão e indefinição sobre o andamento dos trabalhos.

Preliminares e disputa entre PGR e Polícia Federal

Antes de votar o mérito — ou seja, a investigação propriamente dita —, os ministros terão de enfrentar divergências processuais graves. A Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentou um pedido para anular o relatório da PF, sob o argumento de que a apuração foi instaurada a partir de uma solicitação do ministro André Mendonça.

Continua após a publicidade

Há grande probabilidade de apresentação de questões de ordem para julgar essa preliminar antes da pauta principal:

A conduta individual do ministro André Mendonça no caso possui julgamento pautado separadamente para o dia 23 de setembro.

Quórum reduzido e impasse nos bastidores

A composição do plenário é outro ponto crítico da sessão. O tribunal conta atualmente com 10 ministros, mas a contagem de votantes pode cair significativamente devido a suspeições e impedimentos:

Continua após a publicidade
  • Dias Toffoli: Já havia se declarado suspeito para atuar em apurações do Caso Master no início do ano e precisa se pronunciar novamente para ratificar a posição.

  • Alexandre de Moraes e André Mendonça: A participação de ambos é tema de intenso debate interno. Integrantes do próprio tribunal aconselharam Moraes a não votar para preservar a imparcialidade do processo, mas ainda não há confirmação oficial.

Será necessário apresentar uma questão de ordem para deliberar a situação dos três magistrados. Caso sejam declarados impedidos ou se abstenham, apenas sete ministros estarão aptos a votar.

Continua após a publicidade

O rito processual no Plenário

Por se tratar de um procedimento inédito na história da Corte, o rito traz lacunas regimentais. A dinâmica prevista para a sessão seguirá as seguintes etapas:

  1. Relatório: O relator, ministro Edson Fachin, abre o julgamento lendo o resumo histórico e processual do caso.

  2. Manifestações Ornais: A PGR fará sua sustentação verbal, seguida pelas manifestações de defesas e partes habilitadas.

  3. Votação: Fachin apresentará seu voto. Em seguida, os demais ministros votam na ordem regimental de antiguidade — do integrante mais recente até o decano da Corte, ministro Gilmar Mendes.

Ao término da votação, o presidente proclamará o resultado. Qualquer ministro pode pedir vista para examinar melhor o processo, o que suspende o julgamento por até 90 dias. Mesmo diante de um pedido de vista, os demais magistrados têm a prerrogativa de antecipar seus votos na sessão.

Siga o canal do Destak News e receba as principais notícias no seu Whatsapp!