A atuação da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) na região Centro-Oeste do estado está no centro de um grave debate sobre letalidade policial e protocolos de segurança. Em um curto intervalo de três dias, no início de setembro, duas famílias perderam seus filhos em circunstâncias trágicas e controversas. Diante da gravidade dos fatos e do apelo por justiça, a equipe de Macaé Evaristo formalizou uma série de cobranças às autoridades estaduais exigindo transparência e respostas rápidas.
A tragédia em Itaguara: trabalhador morto e policial preso
O primeiro caso ocorreu no dia 4 de setembro, no município de Itaguara. André Alivi dos Santos Teixeira, de 29 anos, foi morto a tiros durante uma operação conduzida pelo Grupo Especializado em Recobrimento (GER) da PMMG.
O relato da família aponta para um erro fatal e uma abordagem desproporcional. Segundo os familiares, André não era o alvo do mandado policial e, no momento da ação, estava se preparando para sair para o trabalho. A família é categórica ao afirmar que o jovem estava completamente desarmado. Em um desdobramento que reforça os indícios de irregularidade na ação, o policial militar responsável pelos disparos foi preso em flagrante logo após o ocorrido.
Terror dentro de casa em Itapecerica
Apenas três dias depois, no feriado de 7 de setembro, a violência se repetiu, desta vez em Itapecerica. Guilherme Pereira da Silva, de 34 anos, foi baleado e morto dentro de sua própria residência durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão.
O cenário descrito pelos parentes é desolador. No momento da invasão, a casa estava ocupada pela mãe de Guilherme, sua irmã e sobrinhos. Os familiares que presenciaram a ação contestam veementemente a versão de confronto apresentada pelos militares no Boletim de Ocorrência. Eles afirmam que Guilherme estava dormindo quando foi surpreendido pelos tiros e que, assim como André, não portava nenhuma arma. O trauma gerado pela morte diante de crianças e parentes próximos chocou a comunidade local.
Mobilização institucional e busca por respostas
Diante do abalo gerado nas duas cidades e das nítidas contradições entre as versões oficiais da Polícia Militar e os relatos das famílias, o mandato de Macaé Evaristo entrou em ação para evitar que os casos caiam no esquecimento ou terminem impunes.
Uma força-tarefa institucional foi acionada. Foram protocolados pedidos formais de providências junto a seis órgãos estratégicos:
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Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e Polícia Civil (PCMG): para a condução de um inquérito ágil, rigoroso e totalmente independente.
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Corregedoria da Polícia Militar e Ouvidoria de Polícia: para a apuração da conduta dos agentes envolvidos e o afastamento preventivo, quando necessário.
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Defensoria Pública (DPMG) e Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese): para garantir assistência jurídica gratuita e atendimento psicossocial urgente aos familiares das vítimas.
"Nenhuma família deveria enterrar um filho sem respostas", destacou a representação de Evaristo. Uma das principais exigências do documento é a preservação imediata de todas as provas materiais e periciais nos locais das mortes, passo fundamental para esclarecer a dinâmica dos disparos.
O que a sociedade espera
Os episódios levantam questionamentos profundos sobre os limites do uso da força em operações de rotina e de cumprimento de mandados no interior de Minas Gerais. A sociedade civil, organizações de direitos humanos e moradores da região Centro-Oeste aguardam agora um posicionamento firme tanto do Ministério Público (MPMG) quanto do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG).
A elucidação rápida e imparcial das mortes de André e Guilherme não é apenas um direito das famílias enlutadas, mas uma prestação de contas essencial para a manutenção da confiança da população nas forças de segurança pública do Estado.
Denúncias de truculência e abuso de autoridade em abordagens policiais geram clima de tensão em Itapecerica (MG)
Moradores relatam uso desproporcional da força durante patrulhamentos de rotina e cobram respostas das autoridades de segurança pública.
Nos últimos meses, a cidade de Itapecerica, no Centro-Oeste de Minas Gerais, tem sido palco de uma crescente onda de insatisfação e medo. Diversos relatos de moradores apontam para um padrão preocupante nas ruas do município: abordagens policiais que estariam ocorrendo de forma truculenta, com uso desproporcional da força e indícios de abuso de autoridade contra os cidadãos.
O padrão das denúncias De acordo com as queixas, o que deveria ser um procedimento padrão e preventivo de segurança tem se transformado em episódios de intimidação. Entre as principais violações relatadas pelos moradores, destacam-se:
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Uso injustificado de força física: Relatos de empurrões, uso de spray de pimenta e agressões desnecessárias contra pessoas que não apresentavam resistência à abordagem.
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Abordagens sem fundada suspeita: Cidadãos sendo parados e revistados de forma agressiva enquanto retornam do trabalho, transitam por seus bairros ou estão em momentos de lazer.
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Intimidação verbal e psicológica: Uso de xingamentos, ameaças de prisão por "desacato" e linguagem depreciativa, configurando constrangimento ilegal e abuso de poder.
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Falta de transparência: Casos em que os agentes agem com hostilidade quando questionados sobre a motivação da revista.
O medo de retaliação O clima de apreensão na cidade tem gerado a chamada "cifra oculta" — quando as vítimas deixam de registrar boletins de ocorrência contra os agentes do Estado por medo de perseguição futura.
"Fui parado voltando do serviço, com meu uniforme. Me colocaram na parede com extrema violência, gritaram comigo no meio da rua e, quando perguntei o motivo da abordagem, fui ameaçado. A gente se sente completamente desamparado, pois quem deveria nos proteger está nos atacando", relatou um trabalhador local que preferiu manter o anonimato temendo represálias.
Especialistas em direitos humanos lembram que a "fundada suspeita" — requisito legal validado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para que uma busca pessoal seja realizada — exige elementos objetivos. A revista policial não pode ser baseada exclusivamente em critérios subjetivos, cor da pele, vestimenta ou bairro onde a pessoa reside.
Caminhos para investigação Para que os fatos sejam devidamente apurados e os policiais envolvidos sejam responsabilizados, é fundamental que as vítimas formalizem as denúncias. Os casos podem ser levados de forma sigilosa ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) — que exerce o controle externo da atividade policial — ou à Corregedoria da Polícia Militar.
Nota da Redação: O espaço de nossa reportagem segue aberto para o posicionamento oficial do comando local da Polícia Militar sobre as diretrizes de policiamento na cidade e as medidas que estão sendo tomadas para investigar as denúncias de excesso em Itapecerica.