O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a abertura de um procedimento investigatório para apurar a conduta do senador e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), no financiamento da produção do filme “Dark Horse”, obra cinematográfica inspirada na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. A investigação busca esclarecer a possível prática dos crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e delitos correlatos.
A decisão foi proferida originalmente em julho, mas teve o sigilo retirado recentemente após o desdobramento de apurações ligadas ao caso do Banco Master. A instauração da petição sigilosa foi solicitada pela Polícia Federal e contou com o aval da Procuradoria-Geral da República (PGR).
Mensagens e repasses sob suspeita
Conforme os autos, mensagens interceptadas pela Polícia Federal indicam que Flávio Bolsonaro procurou diretamente o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, em busca de um aporte de aproximadamente R$ 130 milhões para custear o longa-metragem. Planilhas apreendidas pelos investigadores apontam que cerca de R$ 60 milhões teriam sido efetivamente repassados para a produção.
Ao fundamentar a decisão, o ministro André Mendonça destacou trecho do pedido da autoridade policial:
"A Polícia Federal requer a instauração de PET sigilosa em apartado, vinculada ao INQ 5026, para apurar a possível prática dos crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros delitos correlatos, que teriam sido praticados, em tese, pelo Senador da República Flávio Nantes Bolsonaro, no contexto de financiamento para a produção de obra cinematográfica denominada Dark Horse junto ao Banco Master do banqueiro Daniel Bueno Vorcaro."
Em nota, a defesa de Flávio Bolsonaro negou veementemente qualquer irregularidade, sustentando que todos os recursos captados para a realização do filme possuem origem estritamente privada e legal.
Operação Make Up e o uso de emendas parlamentares
O procedimento autorizado por Mendonça não é a única frente que debruça sobre o longa-metragem. Na quinta-feira (10), a Polícia Federal, em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU), deflagrou a Operação Make Up, que apura o suposto direcionamento e desvio de verbas públicas oriundas de emendas parlamentares para a mesma produção.
Com o cumprimento de 49 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal, São Paulo, Rio de Janeiro e Ceará, a ação teve como alvos o deputado federal Mario Frias (PL-SP) e a produtora Karina Gama. A suspeita da PF é de que verbas destinadas a Organizações da Sociedade Civil (OSCs) tenham sido repassadas a empresas subcontratadas sem a devida comprovação da prestação dos serviços.
Terceira frente sob relatoria de Flávio Dino
Existe ainda uma terceira linha de apuração tramitando no STF. Em agosto, o ministro Flávio Dino autorizou que a Polícia Federal compartilhasse e utilizasse provas coletadas pela Polícia Civil de São Paulo em uma investigação focada na produtora Go Up Entertainment, de propriedade de Karina Gama. O objetivo é apurar se verbas originalmente aprovadas para outros projetos culturais foram desviadas para a execução de “Dark Horse”.