O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, teve o esquema de segurança reforçado após um levantamento da área de inteligência da Polícia do Senado Federal identificar mais de 2 mil conteúdos considerados de risco direcionados ao parlamentar desde o início de junho.
Segundo informações divulgadas pela equipe do senador, o monitoramento identificou 2.288 registros relacionados a ameaças, incitações à violência, referências codificadas e conteúdos associados à possibilidade de ataques. O levantamento foi utilizado pela equipe de segurança para justificar a adoção de medidas adicionais de proteção.
De acordo com o detalhamento divulgado, os registros foram classificados em diferentes categorias. Foram identificadas 868 ameaças explícitas, 647 manifestações de incentivo à violência, 640 referências consideradas codificadas e 133 conteúdos relacionados a planejamento ou oportunidade de ataques.
Segurança do senador é ampliada
Diante do volume de conteúdos identificados, a Polícia do Senado ampliou o esquema de proteção destinado ao parlamentar.
Entre as medidas anunciadas está a ampliação da equipe responsável pela segurança de Flávio Bolsonaro. Segundo as informações divulgadas, o contingente foi triplicado, além do aumento da quantidade de viaturas e equipamentos empregados na proteção do senador.
Também foi estabelecido um sistema de monitoramento permanente, com um centro de comando funcionando 24 horas em Brasília, segundo informações divulgadas pela equipe de segurança.
Outra mudança adotada foi o uso permanente de colete balístico durante compromissos públicos. Flávio passou a aparecer utilizando o equipamento em agendas políticas e deslocamentos, como parte do novo protocolo de proteção.
Ameaças teriam aumentado durante a pré-campanha
O levantamento da Polícia do Senado considera publicações e manifestações feitas principalmente no ambiente digital. Segundo a equipe do parlamentar, o crescimento desses registros ocorreu desde o começo de junho, período em que a pré-campanha presidencial começou a ganhar maior intensidade.
A classificação dos conteúdos, porém, não significa que todos os registros correspondam a planos concretos de atentado. O levantamento reúne diferentes níveis de risco, desde ameaças explícitas até manifestações consideradas incitação à violência ou referências interpretadas pela inteligência como possíveis sinais de risco.
Essa distinção é importante porque uma publicação ameaçadora na internet e um planejamento concreto de ataque possuem naturezas diferentes e exigem procedimentos distintos de investigação.
Declarações sobre facções criminosas
Flávio Bolsonaro também passou a receber ameaças, segundo sua equipe, em meio a declarações relacionadas à política de segurança pública e ao combate ao crime organizado.
O senador defende que organizações criminosas como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) sejam classificadas como organizações terroristas.
A proposta faz parte de uma agenda política voltada ao endurecimento das medidas contra grandes facções criminosas. A discussão, entretanto, envolve questões jurídicas e legislativas, já que a legislação brasileira possui regras específicas para a classificação e o tratamento de organizações criminosas e crimes relacionados ao terrorismo.
Segundo o senador e seus aliados, declarações mais duras contra essas organizações teriam contribuído para aumentar o nível de hostilidade direcionado a ele nas redes sociais.
Flávio também questionou escolta da Polícia Federal
Outro aspecto relacionado à segurança do pré-candidato foi a decisão de não utilizar a escolta oferecida pela Polícia Federal.
Flávio Bolsonaro manifestou desconfiança em relação à presença de agentes federais em sua equipe de proteção e preferiu manter a estrutura de segurança vinculada à Polícia Legislativa do Senado.
Em declaração divulgada durante o anúncio das novas medidas, o senador afirmou temer a possibilidade de haver "infiltrados" na equipe da Polícia Federal. A crítica foi direcionada à atual gestão do órgão, e não à capacidade técnica da instituição de realizar proteção de autoridades.
Por ser senador da República, Flávio Bolsonaro já conta com estrutura de segurança da Polícia Legislativa do Senado, que passou a concentrar a proteção do parlamentar.
Segurança ganha importância em ano eleitoral
O reforço ocorre em um momento de aumento da exposição pública de Flávio Bolsonaro, que se apresenta como pré-candidato à Presidência da República nas eleições de 2026.
Com a aproximação do período eleitoral, a tendência é que a rotina dos principais pré-candidatos envolva viagens, eventos públicos, encontros com apoiadores e maior presença nas redes sociais, aumentando também a necessidade de protocolos específicos de segurança.
No caso de Flávio, a equipe decidiu adotar medidas consideradas mais rígidas diante do levantamento realizado pela inteligência da Polícia do Senado.
A utilização de colete balístico, o aumento do número de agentes e viaturas e o monitoramento contínuo representam uma mudança significativa na rotina de proteção do parlamentar.
Monitoramento deverá continuar
A identificação de ameaças em ambientes digitais também deverá permanecer como uma das principais frentes de atuação da equipe de segurança.
Além do monitoramento de redes sociais, conteúdos que apresentem ameaças concretas podem ser encaminhados para investigação pelas autoridades competentes. Dependendo da natureza do material, podem ser necessárias medidas para identificar os responsáveis, verificar a autenticidade das mensagens e determinar se existe efetivamente risco de execução de algum ataque.
A equipe de Flávio Bolsonaro afirma que continuará acompanhando as manifestações direcionadas ao senador e adotando medidas preventivas.
O caso chama atenção para um problema que afeta diferentes figuras públicas: a transformação de conflitos políticos em ameaças pessoais e manifestações de violência nas redes sociais.
No caso específico de Flávio Bolsonaro, o levantamento divulgado pela Polícia do Senado aponta 2.288 conteúdos de risco desde junho, mas cada registro precisa ser analisado individualmente para determinar sua gravidade e eventual existência de uma ameaça concreta.
Até o momento, as informações divulgadas sobre o levantamento partem da equipe do senador e da estrutura de segurança do Senado. A existência de milhares de registros não significa, por si só, que todos representem planos efetivos de atentado contra o parlamentar. A avaliação concreta do risco depende da análise individual de cada ocorrência pelas autoridades responsáveis.
Fontes: Polícia do Senado Federal e equipe de Flávio Bolsonaro