PF deflagra operação em Montes Claros contra suspeito de invadir conta Gov.br e aplicar golpe de R$ 195 mil na Caixa

A Polícia Federal (PF) deflagrou uma operação na última terça-feira (14 de julho de 2026) em Montes Claros, no Norte de Minas Gerais, para cumprir um mandado de busca e apreensão contra um suspeito de integrar um sofisticado esquema de fraudes financeiras integradas ao ambiente digital.

O alvo da investigação é suspeito de invadir o perfil de uma vítima no portal unificado Gov.br para abrir contas bancárias fraudulentas e contrair empréstimos que geraram um rombo estimado em R$ 195 mil à Caixa Econômica Federal.

O Modus Operandi: Da Invasão ao Empréstimo de R$ 195 Mil

De acordo com as investigações da corporação, a fraude começou com o comprometimento do acesso da vítima ao sistema federal Gov.br — plataforma que centraliza dados pessoais, fiscais e previdenciários dos cidadãos brasileiros.

De posse do controle da conta digital da vítima, o golpista seguiu o seguinte roteiro:

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  • Abertura de Conta: Utilizou as credenciais validadas pelo Gov.br para burlar sistemas de segurança e abrir uma conta corrente em uma instituição financeira de forma fraudulenta.

  • Uso de Falsa Identidade: Passando-se pelo verdadeiro titular da conta, o investigado solicitou linhas de crédito.

  • Contratação de Empréstimos: Obteve empréstimos vultosos diretamente com a Caixa Econômica Federal, cujos valores foram rapidamente pulverizados e transferidos.

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Tecnologia e Papiloscopia: Como a Polícia Federal Chegou ao Suspeito

Para desmantelar o esquema e identificar a autoria do crime cibernético, a Polícia Federal mobilizou seu núcleo de inteligência e perícia técnica. A identificação do investigado foi possível graças ao cruzamento de provas robustas obtidas durante a fase inicial da apuração:

  1. Exames Papiloscópicos: Análise de impressões digitais coletadas em documentos ou dispositivos físicos vinculados à fraude.

  2. Comparação Facial (Biometria): Confronto de imagens capturadas pelos sistemas de validação de segurança bancária (as chamadas selfies de segurança ou liveness detection) com o banco de dados oficial de identificação civil.

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  3. Rastreamento Bancário: Análise detalhada do fluxo financeiro e da movimentação das contas que receberam e repassaram os valores de origem ilícita.

Próximos Passos da Investigação e Possíveis Penas

O mandado de busca e apreensão cumprido em Montes Claros visa recolher novos dispositivos eletrônicos, como celulares, computadores e mídias de armazenamento, que possam revelar a dimensão da fraude.

“As investigações continuam para esclarecer as circunstâncias do crime, identificar possíveis coautores e demais envolvidos, bem como rastrear a destinação dos valores obtidos com a fraude”, informou a Polícia Federal em nota oficial.

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Os envolvidos na organização criminosa poderão responder por uma série de crimes previstos no Código Penal Brasileiro e na legislação correlata:

  • Invasão de dispositivo informático (Art. 154-A do CP)

  • Falsa identidade (Art. 307 do CP)

  • Uso de documento falso (Art. 304 do CP)

  • Estelionato eletrônico qualificado (Art. 171, § 2º-A do CP)

  • Associação criminosa (Art. 288 do CP)

Somadas, as penas para esses delitos podem ultrapassar os 15 anos de reclusão, além de multas e da obrigação de ressarcimento do prejuízo causado ao banco público.

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