OAB aciona o STF e pede que Moraes libere visitas de Flávio Bolsonaro ao pai no papel de advogado

O Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) ingressou com uma petição oficial endereçada ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), solicitando a revisão da decisão que suspendeu por 90 dias as visitas presenciais do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

A entidade máxima da advocacia brasileira alega que a restrição imposta pelo ministro fere gravemente o Estatuto da Advocacia (Lei Federal 8.906/94), uma vez que o senador é regularmente inscrito nos quadros da Ordem e atua formalmente como advogado constituído para a defesa técnica de seu pai nos autos processuais.

O Contexto: Como a Suspensão Aconteceu

A crise que culminou na ação da OAB teve início após Flávio Bolsonaro utilizar suas redes sociais para dar publicidade a uma carta manuscrita redigida por Jair Bolsonaro. O ex-presidente cumpre medidas cautelares rigorosas e restrições de comunicação determinadas pelo STF.

Para o ministro Alexandre de Moraes, a divulgação da carta pelo filho funcionou como um drible nas restrições judiciais impostas, caracterizando um descumprimento das medidas cautelares de isolamento. Como resposta imediata, Moraes aplicou uma suspensão de 90 dias para qualquer encontro presencial entre o parlamentar e o ex-presidente.

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Os Argumentos Técnicos da OAB

Ao acionar a Suprema Corte, o Conselho Federal da OAB enfatizou que sua manifestação não tem coloração partidária ou ideológica, tratando-se de uma defesa estritamente institucional e legalista. Os principais pontos levantados pela Ordem são:

  • Inviolabilidade do Exercício Profissional: O Estatuto da Advocacia assegura, em caráter inalienável, o direito de qualquer advogado de se comunicar com seus clientes pessoal e reservadamente, mesmo quando estes estejam submetidos a regimes de prisão ou isolamento cautelar.

  • Foco Exclusivo na Defesa: A OAB não contesta o mérito geral das investigações conduzidas pelo STF, mas pede uma "adequação cirúrgica" na decisão de Moraes. O objetivo é flexibilizar a proibição para que Flávio Bolsonaro possa se reunir com o pai desde que o foco seja estritamente técnico — ou seja, para a elaboração de peças de defesa, orientação jurídica e acompanhamento processual.

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  • Garantia de Ampla Defesa: A Ordem argumenta que impedir o réu de se avistar com um de seus defensores constituídos gera um desequilíbrio na balança da ampla defesa e do devido processo legal.

Pressão e Mobilização da Classe Jurídica

A iniciativa do Conselho Federal da OAB ocorre em meio a um cenário de forte pressão interna exercida por diferentes alas da advocacia nacional.

Paralelamente à petição formal da Ordem, o grupo Movimento dos Advogados de Direita Brasil (Movadvdireitabr) organizou um manifesto que reuniu mais de 9 mil assinaturas de profissionais do direito de todo o país. O calhamaço com as assinaturas e uma representação formal foram protocolados junto à OAB com cobranças duras:

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  • Firmeza contra Abusos: O movimento exige que a direção nacional da OAB adote uma postura muito mais enérgica diante das decisões do STF.

  • Críticas a Precedentes da Corte: O grupo alega que o caso de Bolsonaro não é isolado e aponta para o que classifica como um "cenário de erosão de prerrogativas" no Supremo. Entre os problemas recorrentes apontados pelos advogados estão as restrições ao acesso integral de autos processuais sigilosos, a limitação do direito à sustentação oral nos julgamentos virtuais e dificuldades sistemáticas no livre exercício da defesa técnica.

O pedido da OAB agora aguarda a deliberação do ministro relator, Alexandre de Moraes, cujo posicionamento definirá se as prerrogativas profissionais de Flávio Bolsonaro como advogado se sobreporão às medidas de isolamento político decretadas pela Corte.

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