A cidade de Marche-en-Famenne, na Bélgica, foi palco de um crime brutal que chocou a comunidade local e repercute intensamente no Brasil. A mineira Silvilene Rocha, de 37 anos, natural do município de Conselheiro Lafaiete, na região central de Minas Gerais, foi assassinada a golpes de facão na madrugada de segunda-feira (13 de julho de 2026).
Uma segunda mulher, identificada como companheira de Silvilene, de 26 anos e também de nacionalidade brasileira, ficou gravemente ferida no mesmo ataque, mas sobreviveu.
Perseguição Brutal em Via Pública
De acordo com informações divulgadas pela emissora de televisão belga TV Lux e confirmadas pelo Ministério Público de Luxemburgo (província belga onde fica a cidade), o crime ocorreu entre meia-noite e 1h da manhã, na Avenida de la Toison d’Or.
Silvilene foi perseguida em plena via pública pelo agressor. A perícia técnica encontrou vestígios de sangue espalhados por vários metros ao longo da rua, evidenciando a tentativa desesperada da vítima de escapar do ataque. Uma testemunha ocular relatou ter presenciado uma cena de extrema violência e tentou prestar os primeiros socorros à mineira, que acabou não resistindo aos profundos cortes sofridos na região da cabeça.
A companheira de Silvilene também foi atingida pelos golpes de facão, mas conseguiu correr e escapar do assassino. Ela foi resgatada em estado grave e encaminhada às pressas para um hospital da região. Apesar da gravidade das lesões, boletins médicos indicam que ela passou por procedimentos de emergência e não corre risco de morte.
Prisão do Autor e Linhas de Investigação
A resposta das forças de segurança belgas foi ágil. Horas após o ocorrido, as polícias local e federal realizaram uma megaoperação simultânea com buscas em quatro residências diferentes, resultando na detenção provisória de quatro suspeitos.
Após os primeiros depoimentos e a análise das provas, três das pessoas detidas foram inocentadas e imediatamente liberadas. O quarto suspeito, um jovem de 20 anos, morador de Marche-en-Famenne e sem antecedentes criminais, confessou a autoria do crime. Diante da confissão, a Justiça belga decretou sua prisão preventiva na noite de terça-feira (14 de julho).
O caso está sendo tratado oficialmente pelo Poder Judiciário belga como assassinato (homicídio premeditado) e tentativa de assassinato. As motivações exatas por trás da barbárie continuam sob investigação. Contudo, a imprensa local apontou que o imóvel residencial onde as duas brasileiras moravam era alugado e as autoridades apuram a suspeita de que o local pudesse estar sendo utilizado para fins de prostituição.
Prefeitura e Comunidade em Choque
O nível de violência incomum para os padrões de Marche-en-Famenne comoveu a população local. O prefeito da cidade, Nicolas Grégoire, emitiu uma nota oficial lamentando o episódio, que classificou como um ato de “violência particular”.
“Em nome da cidade de Marche-en-Famenne, desejo enviar meus mais sinceros pensamentos para a família e os familiares da vítima, bem como para a segunda pessoa ferida e seus familiares”, declarou o chefe do Executivo local.
Grégoire aproveitou a oportunidade para agradecer a rápida atuação das equipes de emergência e das forças policiais. Ele ressaltou ainda que as imagens geradas pelas câmeras de vigilância urbana instaladas na região foram fundamentais para rastrear, identificar e prender o autor do crime poucas horas após o ocorrido.
Amigos Lamentam Perda; Família aguarda Traslado
Amigos próximos a Silvilene Rocha expressaram profundo pesar nas redes sociais. Relatos apontam que ela era uma mulher trabalhadora e que já havia morado em outros países europeus antes de se estabelecer na Bélgica, sempre em busca de melhores condições de vida.
Até o momento, a família de Silvilene em Conselheiro Lafaiete não divulgou detalhes sobre os custos e os trâmites burocráticos para o traslado do corpo de volta ao Brasil, tampouco informações sobre o velório e o sepultamento da mineira. O Ministério das Relações Exteriores do Brasil (Itamaraty), por meio do consulado na Bélgica, deve acompanhar os desdobramentos jurídicos e prestar a assistência consular cabível aos familiares.