SANTOS / SP – Em uma das maiores ofensivas recentes contra o mercado de produtos piratas no país, a Receita Federal interceptou um contêiner carregado com nada menos que 22 toneladas de camisas de futebol falsificadas no Porto de Santos, no litoral paulista. A operação, realizada na última quarta-feira (20), resultou na apreensão de aproximadamente 120 eixos de milhares de peças (120 mil unidades), cuja carga está avaliada em impressionantes R$ 3,3 milhões.
O flagrante ocorre em um momento estratégico: às vésperas da Copa do Mundo de 2026. De acordo com o órgão, uma parcela significativa do vestuário apreendido estampava o escudo de seleções que vão disputar o torneio mundial nas próximas semanas.
A tática do "esconderijo" para burlar o raio-X
De acordo com os auditores fiscais da Receita Federal, o contêiner — que veio diretamente da China — trazia uma engenharia logística montada especificamente para tentar enganar os agentes. Para ocultar o crime, os contrabandistas declararam a carga oficialmente como um carregamento de "mochilas".
Para tentar passar ilesos por inspeções visuais rápidas na abertura do contêiner, os criminosos criaram uma "barreira de proteção": posicionaram cerca de duas toneladas de malas originais logo na entrada da estrutura, bloqueando a visão da porta. No entanto, o cruzamento de dados de inteligência e a análise detalhada por escâneres do porto desmascararam a fraude, revelando o verdadeiro conteúdo que preenchia o restante do espaço.
Do Brasil ao Japão: O "catálogo" da pirataria
A variedade de modelos retidos chamou a atenção das autoridades. O lote continha réplicas de uniformes atualizados de potências mundiais e de clubes tradicionais do futebol brasileiro.
Entre o material têxtil confiscado, a Receita Federal identificou:
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Seleções Internacionais: Brasil, Canadá, Portugal, Itália, Argentina, Colômbia, México, Espanha, Alemanha e Japão.
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Clubes Brasileiros: Santos, Botafogo, Portuguesa, Flamengo e Atlético Mineiro.
Diferente de outras operações realizadas nos últimos três meses, onde materiais esportivos piratas vinham misturados e pulverizados em meio a outros tipos de mercadorias baratas (como eletrônicos e brinquedos), este contêiner chamou a atenção por ser dedicado quase em sua totalidade ao mercado ilegal de mantos de futebol.

Foto: Receita Federal/Divulgação
Números alarmantes: 75 toneladas em poucos meses
Essa apreensão milionária é apenas a ponta de um iceberg de um monitoramento intensificado pelas autoridades aduaneiras devido à febre do mundial de futebol.
A Receita Federal informou que, em um balanço recente das fiscalizações no complexo portuário santista, já foram retidos outros 15 contêineres com o mesmo modus operandi nos últimos meses. No total, essas ações já retiram de circulação mais de 75 toneladas de produtos falsificados, somando um montante estimado de 428 mil camisas esportivas que abasteceriam o comércio popular ilegal em várias regiões do Brasil.
O Impacto no Mercado: Além do crime de contrabando e descaminho, a Receita Federal alerta que o comércio de réplicas alimenta redes de lavagem de dinheiro, gera evasão fiscal milionária e prejudica diretamente a arrecadação dos clubes e fornecedores oficiais, que dependem do licenciamento de marcas.
O material apreendido passará pelos trâmites legais de perdimento e, conforme prevê a legislação nacional para artigos falsificados que violam direitos de propriedade de marca, o destino final de todas as 120 mil peças deverá ser a destruição e reciclagem sustentável do tecido.