A terra voltou a tremer em Minas Gerais. Na última terça-feira (14), os microssismógrafos da Rede Sismográfica Brasileira (RSBR) registraram um tremor de terra de magnitude 1.9 MLv no município de Divinópolis, a maior cidade da região Centro-Oeste do estado.
Este evento acende o alerta para a atividade geológica recente na região: trata-se do 5º abalo sísmico registrado em território mineiro em um intervalo de apenas duas semanas. Embora assustem a população local, esses tremores de baixa intensidade são comuns no país.
O Tremor em Divinópolis e a Explicação de Especialistas
O abalo ocorreu em uma faixa considerada de baixíssima intensidade pela escala Richter, mas suficiente para ser notada por moradores de determinados bairros, especialmente aqueles que se encontravam em repouso ou em prédios mais altos no momento do evento.
Para tranquilizar os moradores, o especialista José Alexandre Nogueira, do Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP), explicou que o fenômeno não é inédito no município e não apresenta riscos iminentes de destruição:
“Divinópolis tem algum histórico de sismicidade com tremores próximos dessa faixa de magnitude. Eles podem ser sentidos pelas pessoas e causar sustos ou mal-estar momentâneo, mas não têm energia suficiente para causar danos sérios.”
Na maioria dos casos de baixa magnitude (abaixo de 3.0), o tremor é acompanhado por um estrondo físico semelhante ao de um trovão distante ou à passagem de um caminhão pesado na rua, o que costuma gerar dúvidas e pequenos picos de chamados à Defesa Civil municipal.
Duas Semanas de Atividade: O Raio-X dos Tremores em Minas
O evento em Divinópolis consolida uma quinzena atipicamente movimentada para a sismologia mineira. Cidades da região Central e do Triângulo Mineiro também sentiram o solo vibrar nos últimos dias:
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Planura (Triângulo Mineiro): Registrou o abalo de maior força do período recente, atingindo 2.6 mR no dia 1º de julho. O município tem sido monitorado de perto nos últimos anos devido a recorrências de tremores provocados por falhas geológicas naturais na bacia sedimentar da região.
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Pirajuba (Triângulo Mineiro): Teve um tremor de magnitude 2.4 mR registrado no dia 2 de julho.
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Sete Lagoas (Região Central): Conhecida pelas recorrentes movimentações subterrâneas decorrentes de seu relevo cárstico (formado por cavernas e rochas calcárias), a cidade registrou dois eventos seguidos: um de 1.5 MLv no dia 30 de junho e outro de 1.6 MLv no dia 4 de julho.
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Cronologia dos Abalos Recentes em Minas Gerais
| Data | Cidade / Região | Magnitude Registrada |
| 14 de julho de 2026 | Divinópolis (Centro-Oeste) | 1.9 MLv |
| 04 de julho de 2026 | Sete Lagoas (Central) | 1.6 MLv |
| 02 de julho de 2026 | Pirajuba (Triângulo) | 2.4 mR |
| 01 de julho de 2026 | Planura (Triângulo) | 2.6 mR |
| 30 de junho de 2026 | Sete Lagoas (Central) | 1.5 MLv |
Por que a terra treme em Minas Gerais?
Muitos brasileiros acreditam que o país está totalmente imune a terremotos por estar situado no centro da Placa Tectônica Sul-Americana. No entanto, geólogos explicam que o interior da placa possui diversas falhas e fraturas geológicas geologicamente antigas.
Sob pressões constantes, essas rochas subterrâneas acabam sofrendo pequenas acomodações de terra ou rupturas locais, liberando energia acumulada na forma de ondas sísmicas.
Tremores com magnitudes inferiores a 3.0 são enquadrados como de baixa intensidade. Na grande maioria das vezes, são percebidos apenas por uma parcela da população próxima ao epicentro e não possuem energia mecânica capaz de provocar rachaduras profundas ou colapso em estruturas de alvenaria bem construídas.