Casas Bahia inicia fechamento de quase 300 lojas e demite milhares de funcionários em grande reestruturação

Medida atinge cerca de 30% da rede física do grupo. Empresa enfrenta pressão do endividamento das famílias e foca na preservação de caixa e canais digitais.

Em um dos movimentos mais drásticos de sua história recente, o Grupo Casas Bahia iniciou nesta sexta-feira (14) o encerramento das atividades de 298 lojas em diversas regiões do Brasil. A decisão representa o fechamento de quase 30% da rede física da varejista, que contava com pouco mais de mil unidades operacionais em todo o território nacional.

O plano de enxugamento da operação gerou um forte impacto no quadro de colaboradores. A onda de demissões começou na quinta-feira (13), com o desligamento de cerca de 600 trabalhadores. Já ao longo da sexta-feira, estimou-se a saída de mais 1.300 a 1.400 profissionais. Fontes do setor projetam que o volume total de demissões possa alcançar até 3 mil funcionários ao final do processo de ajuste.

Escalada nos cortes e readequação operacional

A redução drástica das operações não ocorre isoladamente, mas marca um severo aprofundamento da reestruturação da companhia. No primeiro trimestre deste ano, o grupo já havia sinalizado a necessidade de contração ao fechar 12 unidades da marca Casas Bahia e 14 da bandeira Pontofrio. No entanto, o fechamento massivo anunciado agora supera, em larga escala, as medidas adotadas no início do ano.

A empresa enfrenta um cenário macroeconômico adverso, caracterizado por:

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Cabe lembrar que, ainda em 2024, o grupo passou por um processo de recuperação extrajudicial, firmando acordos de renegociação com grandes instituições bancárias para tentar reorganizar sua estrutura de capital e readequar o fluxo de caixa.

Foco no digital e estratégias de preservação de caixa

Como parte do plano para tentar estancar as perdas e reverter o desempenho operacional, a Casas Bahia definiu o fortalecimento do comércio eletrônico e dos canais digitais como prioridade estratégica.

Paralelamente à migração de esforços para a internet, a empresa tem adotado táticas rígidas de preservação de caixa. Segundo apuração publicada pelo jornal Valor Econômico, a varejista postergou pagamentos devidos a lojistas parceiros de seu marketplace e renegociou prazos de pagamento mais longos com fornecedores para garantir liquidez imediata.

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Expectativa pelo balanço financeiro e posicionamento

O anúncio das medidas drásticas ocorre em um momento decisivo para a relação da empresa com o mercado financeiro. A divulgação do balanço oficial referente ao segundo trimestre, que estava agendada para a última quarta-feira (12), foi remarcada para as 17h desta sexta-feira.

Já a tradicional teleconferência com analistas, investidores e agentes do mercado financeiro para detalhar os números e os próximos passos do grupo ocorrerá na próxima segunda-feira (17).

Além das marcas Casas Bahia e Pontofrio, o grupo detém operações relevantes no mercado nacional, como a fabricante de móveis Bartira, o e-commerce Extra.com.br, a solução financeira Casas Bahia Pay e a divisão logística CBfull.

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Até o momento do fechamento desta reportagem, a empresa não havia emitido uma manifestação oficial comentando detalhadamente os cortes e o encerramento das unidades.

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