BRASÍLIA – A corrida presidencial brasileira sofreu uma forte turbulência política e tecnológica na noite desta quarta-feira (12). O sistema oficial da Justiça Eleitoral registrou a desfiliação do senador Flávio Bolsonaro do Partido Liberal (PL) e sua automática filiação ao partido "Missão" — legenda vinculada ao Movimento Brasil Livre (MBL) que possui como pré-candidato ao Planalto o ativista Renan Santos.
A alteração atinge em cheio o planejamento do PL: Flávio, filiado à legenda desde novembro de 2021, teve sua candidatura à Presidência da República homologada na convenção nacional do partido em 25 de julho. No entanto, ao tentar protocolar o registro oficial da chapa no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os operadores do partido foram surpreendidos por uma mensagem de erro indicando que o candidato pertencia aos quadros de uma agremiação adversária, travando o procedimento legal.
Hipótese de ataque hacker e suspeita de sabotagem
A coordenação jurídica do PL reagiu imediatamente, descartando a possibilidade de "inconsistência cadastral" trivial e levantando a hipótese de invasão cibernética ou uso indevido de credenciais de acesso ao sistema Filia (plataforma do TSE que gerencia o cadastro nacional de filiados).
Até o momento, não foram apresentados laudos periciais que explicem conclusivamente a origem dos comandos digitais. Contudo, o fato objetivo alarma os bastidores de Brasília: duas movimentações partidárias críticas foram efetuadas em nome de um dos principais nomes da oposição a menos de 72 horas do encerramento do prazo para registro de candidaturas.
Juristas e interlocutores da campanha classificam o episódio como uma tentativa de obstrução artificial. As dúvidas sem resposta que mobilizam os advogados do partido incluem:
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Credenciais utilizadas: De quais computadores e com quais senhas partidárias foram solicitadas a desfiliação do PL e a inclusão no Missão?
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Aprovação do partido destino: Houve chancela ou validação interna do sistema do partido Missão para acolher a ficha do senador?
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Trilhas de acesso: Quais endereços de IP e registros de log foram gerados durante as duas operações?
O posicionamento do TSE e a cobrança por auditoria
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) relembrou que o sistema Filia é abastecido e alimentado sob a inteira responsabilidade das agremiações partidárias, que detêm chaves privadas de acesso para inclusão e exclusão de seus militantes e quadros políticos.
Para a defesa de Flávio Bolsonaro, contudo, um simples ajuste manual no banco de dados não encerra o caso. O partido exige a preservação integral dos logs de acesso, realização de perícia técnica detalhada pela Polícia Federal e apresentação de um relatório público com a identificação dos autores do procedimento.
"Se foi uma invasão hacker, estamos diante de uma vulnerabilidade gravíssima do ecossistema tecnológico do processo eleitoral. Se houve uso indevido de credenciais internas, o cenário ganha contornos ainda mais graves de sabotagem. Não se trata apenas da candidatura de Flávio Bolsonaro, mas da própria lisura da eleição presidencial", apontaram interlocutores da campanha.
Prazo estritamente curto e clima de tensão
A alteração indevida adiciona enorme pressão ao calendário do TSE. Faltando poucos dias para o fechamento da janela de registro, a equipe jurídica da campanha do PL corre contra o tempo em petições de urgência para restabelecer o status quo de Flávio Bolsonaro junto à legenda e garantir a homologação de sua postulação ao Palácio do Planalto dentro do prazo constitucional.