Uma idas e vindas de informações e a dor da perda marcam a história de Brenda Larissa Maia, de 32 anos, que morreu na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Justinópolis, em Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Momentos antes de falecer, a paciente utilizou o próprio celular para registrar o cenário de aparente abandono na unidade de saúde, gravando vídeos que mostram consultórios vazios e pacientes aguardando por socorro.
A Polícia Civil de Minas Gerais instaurou um inquérito para apurar as circunstâncias da morte e a conduta da equipe médica da unidade de saúde.
Cronologia do Atendimento: Horas de Espera e Piora Clínica
De acordo com o Boletim de Ocorrência registrado pela família, a saga de Brenda começou na tarde de sábado (6):
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14h30 (Sábado): Brenda dá entrada na UPA Justinópolis queixando-se de fortes dores no peito. Por ser portadora de fibromialgia e cardiopatia, ela passou pela triagem, recebeu uma classificação de risco e foi encaminhada para aguardar o atendimento médico.
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22h14 (Sábado): Após quase oito horas na unidade, Brenda enviou mensagens de texto para a mãe informando que seu estado de saúde havia piorado drasticamente. Diante do agravamento, ela foi submetida a uma oxigenoterapia.
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01h38 (Domingo): Em meio ao desespero e à falta de assistência, Brenda percorreu os corredores da UPA gravando vídeos. Nas imagens, ela abre as portas de ao menos quatro consultórios totalmente vazios e desabafa sobre a ausência de profissionais, enquanto outros pacientes aparecem cansados na sala de espera.
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Pouco tempo após os registros no celular, a negligência reportada por Brenda transformou-se em tragédia. A família foi abordada por uma funcionária da UPA com a notícia de que a jovem havia passado mal, caído no chão do hospital e falecido.
Mudança repentina em laudo médico levanta suspeitas
A denúncia da família ganhou força devido a uma suposta contradição nos laudos médicos logo após o óbito. Segundo o relato da mãe da vítima, um médico plantonista informou verbalmente que a causa da morte teria sido uma embolia pulmonar e chegou a apresentar um documento prévio com essa justificativa.
No entanto, a postura da equipe mudou quando os familiares confrontaram o profissional exibindo os vídeos gravados por Brenda na madrugada.
"Depois que mostramos os vídeos que ela fez dos consultórios vazios, o médico recuou e informou que a documentação referente ao óbito seria outra, mudando a versão", afirmou a mãe de Brenda no registro policial.
Além da mudança repentina na causa da morte, os parentes relatam terem recebido orientações desencontradas e burocráticas sobre como proceder com a liberação do corpo, o que os motivou a acionar a Polícia Militar para registrar o caso.
Investigação e Próximos Passos
O corpo de Brenda Larissa Maia foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) de Belo Horizonte para a realização de exames de necropsia, que devem apontar com precisão a causa clínica do óbito.
Em nota oficial, a Polícia Civil de Minas Gerais confirmou a abertura de um inquérito policial e reiterou que aguarda a conclusão dos laudos periciais para subsidiar as investigações e determinar se houve omissão de socorro ou erro médico.