Nova tarifa de 25% dos EUA contra o Brasil entra em vigor e acende alerta no comércio exterior e na política nacional

BRASÍLIA e WASHINGTON — Entrou em vigor nesta quarta-feira (22) a nova sobretaxa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre uma série de produtos exportados pelo Brasil. A medida faz parte de uma ostensiva renovação na política protecionista do presidente norte-americano Donald Trump, em meio ao vencimento de tarifas temporárias anteriormente aplicadas a diversos parceiros comerciais globais de Washington.

A taxação ao Brasil é fruto de uma investigação conduzida por autoridades norte-americanas que acusou o país de práticas comerciais supostamente desleais. Segundo avaliação da analista Valentina Sader, do centro de estudos Atlantic Council, a escolha de Washington pode ter um forte viés geopolítico.

"Washington pode estar utilizando o Brasil como exemplo para enviar uma mensagem mais ampla sobre suas prioridades e sua abordagem de negociação", destacou a especialista, ressaltando que o discurso da Casa Branca — ao alegar falta de boa-fé em negociações por parte do governo de Luiz Inácio Lula da Silva — "reforça a percepção de que a medida possui um componente político direto".

O impacto da nova alíquota promete se tornar um dos temas centrais de debate no cenário político nacional, influenciando os discursos para as eleições presidenciais brasileiras marcadas para outubro.

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Isenções estratégicas e o impacto econômico bilionário

Apesar do forte impacto no comércio bilateral, nem todas as exportações brasileiras serão afetadas imediatamente. A estimativa do Atlantic Council aponta que aproximadamente metade do volume exportado do Brasil para os EUA permanecerá livre de tarifação adicional, graças a exceções em setores-chave.

  • Produtos isentos: Itens de grande peso na pauta exportadora como carne bovina, café e peças de aviões receberam isenção da nova taxa.

  • Volume atingido: A Câmara de Comércio Americana para o Brasil (Amcham Brasil) fez um alerta grave, estimando que a medida afete diretamente mais de US$ 11 bilhões (cerca de R$ 55,85 bilhões) em produtos brasileiros exportados.

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Em resposta ao anúncio, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, declarou em coletiva de imprensa na terça-feira que o governo brasileiro prefere adotar uma postura diplomática e de diálogo técnico, buscando resolver a controvérsia por meio de negociações diretas em vez de aplicar retaliações imediatas.

Estratégia de Trump e reconfiguração pós-Suprema Corte

A ofensiva tarifária ocorre em um cenário em que a Casa Branca reconstrói sua agenda de restrições comerciais. Em fevereiro, a Suprema Corte dos Estados Unidos havia anulado grande parte das tarifas discricionárias impostas por Trump, limitando o poder executivo de criar novos impostos sem amparo legal específico.

Para contornar o revés judicial, a administração norte-americana recorreu a outros dispositivos legais e regulatórios:

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  • Tarifas sobre genéricos: Na terça-feira, Trump anunciou uma tarifa de 100% sobre a importação de medicamentos genéricos a partir de agosto de 2028, alíquota que subirá para 200% em 2029.

  • Ofensiva por "trabalho forçado": A partir do vencimento da tarifa global temporária de 10%, autoridades de Washington propuseram aplicar gravames entre 10% e 12,5% a cerca de 60 parceiros comerciais por supostos descumprimentos no combate ao trabalho forçado. O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, confirmou à emissora CNBC que ações nessa frente devem ocorrer em breve.

Escalada de tensões também atinge o Canadá

O Brasil não é o único país afetado pela recente onda de retaliações da diplomacia comercial norte-americana. Nos últimos dias, os Estados Unidos direcionaram duras sanções ao Canadá, um de seus mais tradicionais parceiros no bloco norte-americano.

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Washington anunciou uma sobretaxa adicional de 50% sobre produtos canadenses, programada para entrar em vigor dentro de um mês. A justificativa de Greer é de que a medida responde ao "tratamento discriminatório do Canadá em relação aos produtos norte-americanos" e à recusa de Ottawa em retirar taxas retaliatórias aplicadas desde 2025.

Em resposta, o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, afirmou estar avaliando "todas as opções" para defender a economia do país, mas confirmou que, após conversa com Donald Trump, ambos concordaram em intensificar as negociações nas próximas duas semanas para tentar contornar a crise.

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