BRASÍLIA — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a cúpula do Partido dos Trabalhadores (PT) avaliam a possibilidade de o mandatário não comparecer aos debates televisivos durante o primeiro turno da campanha de reeleição. A estratégia de preservação do candidato está em fase de debate e a decisão final deverá ser adotada de forma pontual ao longo do calendário eleitoral.
O primeiro grande teste da temporada será o debate promovido pelo Grupo Bandeirantes, agendado para o dia 16 de agosto. A data coincide com o grande ato de lançamento oficial da candidatura de Lula no Estádio Primeiro de Maio, em São Bernardo do Campo (SP) — berço político e sindical do petista. A coincidência de agendas é vista nos bastidores do partido como um motivo natural para justificar a ausência do presidente no primeiro confronto direto na TV.
Foco de ataques e cálculo de risco
Segundo interlocutores da campanha, a cautela se deve ao fato de Lula liderar as pesquisas de intenção de voto para a Presidência da República. Na avaliação de estrategistas petistas, a presença do atual chefe do Executivo nos estúdios o transformaria no alvo principal de todos os adversários na disputa.
A análise interna indica que submeter o presidente a uma metralhadora de críticas por parte da oposição geraria uma exposição desnecessária e munição para cortes de redes sociais, sem trazer retornos eleitorais significativos para quem já ocupa a liderança.
Regras de representatividade e participantes obrigatórios
De acordo com as regras eleitorais vigentes, as emissoras de rádio e televisão são obrigadas a convidar apenas candidatos de partidos ou federações que possuam ao menos cinco representantes no Congresso Nacional.
Com base nesse critério — respaldado por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que manteve a exigência legal e a contagem da bancada eleita nas urnas —, o número de participantes nos debates de 2026 tende a ser mais enxuto. Além de Lula e do pré-candidato do PL, o senador Flávio Bolsonaro, apenas nomes como Ronaldo Caiado (União Brasil) e Augusto Cury (Avante) preenchem os requisitos para convite compulsório pelas redes de transmissão.
Estratégia recorrente entre líderes nas pesquisas
A escolha de evitar enfrentamentos televisivos na primeira etapa da corrida presidencial não é inédita na política brasileira e costuma ser adotada por candidatos à reeleição ou por líderes consolidados nas pesquisas de opinião:
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Em 2006: O próprio presidente Lula optou por não participar dos encontros na TV no primeiro turno, sob a justificativa de que mantinha vantagem confortável sobre seu principal opositor à época, Geraldo Alckmin (hoje seu vice-presidente). No segundo turno, porém, o petista esteve presente nos quatro debates promovidos.
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Em 1998: O então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) recusou todos os convites para debates no primeiro turno durante a campanha de reeleição. Na época, como a legislação exigia o consenso de todos os postulantes para a realização dos eventos, a recusa de FHC fez com que os confrontos nem chegassem a acontecer. FHC acabou liquidando a disputa no primeiro turno com 53,06% dos votos válidos.
A decisão definitiva da coordenação da pré-campanha de Lula sobre a agenda de debates na TV deve ser anunciada nos próximos dias.