Em uma decisão que aumenta a pressão sobre o Palácio do Planalto, o presidente do Senado e do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União Brasil – AP), decidiu manter a validade da quebra de sigilo bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, o "Lulinha". A decisão foi anunciada durante a sessão plenária desta terça-feira (3), após uma intensa disputa regimental sobre a votação ocorrida na CPMI do INSS.
O Argumento da "Maioria Numérica"
O cerne da controvérsia estava em um recurso protocolado pelo senador Randolfe Rodrigues (PT – AP) e outros parlamentares da base governista. Eles alegavam que houve erro na contagem de votos durante a sessão do dia 26 de fevereiro, presidida pelo senador Carlos Viana.
No entanto, Alcolumbre foi pragmático em sua fundamentação técnica. Ele pontuou que, com um quórum de 31 parlamentares presentes, seriam necessários no mínimo 16 votos para barrar ou aprovar qualquer requerimento.
“A suposta violação das normas regimentais não se mostra evidente e inequívoca. Mesmo que 14 parlamentares tenham se manifestado contrariamente, como sustentam os autores do recurso, este número não seria suficiente para configurar a maioria necessária para derrubar a deliberação”, afirmou o presidente do Senado.
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Alcolumbre também minimizou possíveis confusões na condução dos trabalhos por parte de Carlos Viana, reforçando o princípio da autonomia das comissões e evitando uma intervenção direta da Mesa do Congresso.
O Estopim: O "Careca do INSS" e os R$ 300 mil
A investigação que mira o filho do presidente Lula ganhou tração após a Polícia Federal (PF) extrair mensagens do celular de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS". Apontado como o principal operador de um esquema de fraudes previdenciárias, Careca mencionou em comunicações o repasse de pelo menos R$ 300 mil para uma pessoa identificada como "o filho do rapaz".
Para os investigadores da PF e membros da oposição na CPMI, o termo é uma alusão direta a Lulinha. Vale lembrar que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), já havia autorizado o acesso aos dados telemáticos e fiscais de Fábio Luís no mês passado, atendendo a um pedido da própria Polícia Federal.
Cenário de Guerra na CPMI
A reunião que selou a quebra de sigilo, no final de fevereiro, foi marcada por cenas de tensão, incluindo empurra-empurra e discussões ríspidas entre parlamentares da oposição e do governo. Além de Lulinha, a CPMI aprovou um pacote pesado de medidas:
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Quebra de sigilo: Bancário e fiscal do Banco Master.
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Convocações: O ex-executivo e sócio do Banco Master, Augusto Ferreira Lima, deverá prestar depoimento em breve.
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Volume de trabalho: Ao todo, 86 requerimentos foram apreciados na mesma sessão (a 32ª do colegiado).
O que acontece agora?
Com a negativa de Alcolumbre em anular a votação, a CPMI tem caminho livre para solicitar e analisar os extratos bancários e as movimentações financeiras de Fábio Luís. A defesa de Lulinha e os parlamentares do PT ainda avaliam se entrarão com novas medidas judiciais no STF para tentar blindar o empresário, alegando falta de conexão direta entre seus negócios e as fraudes no INSS.