O senador Flávio Bolsonaro (PL) rompeu o silêncio nesta quarta-feira (28) e se manifestou pela primeira vez após sua saída do Brasil rumo aos Estados Unidos. Por meio de uma carta aberta direcionada "ao povo brasileiro e à comunidade internacional", o parlamentar, derrotado no segundo turno das eleições presidenciais no último domingo (25), e adotou um tom de confrontação.
Acusações de fraude e críticas ao Judiciário
No documento, Flávio classificou o resultado do pleito como fruto de uma "fraude eleitoral". Ele direcionou críticas contundentes ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Cristiano Zanin — ex-advogado do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) —, atribuindo a ele uma "atuação ilegítima e ilegal" que teria viabilizado o acréscimo de mais de 10 milhões de votos para a chapa petista entre o primeiro e o segundo turno.
“Na noite de domingo, vi estarrecido uma fraude eleitoral se concretizar diante dos meus olhos. A atuação ilegítima e ilegal do ex-advogado do Lula permitiu que uma impossibilidade matemática se concretizasse”, afirmou Flávio Bolsonaro na carta.
O senador questionou especificamente a decisão de Zanin que estendeu o horário de votação das 17h para as 19h no domingo, alegando que a medida foi "tomada por cima da competência do Tribunal Superior Eleitoral". Ele sustentou que toda a campanha da chapa de Lula foi marcada por "abuso de poder político, econômico e uso da máquina pública".
A versão sobre a sua saída do Brasil e os passaportes
Ao abordar sua saída do país, que ocorreu em meio a uma ordem judicial de retenção de seus passaportes, Flávio Bolsonaro alegou a existência de um "plano previamente elaborado" para persegui-lo. Ele acusou o ministro Alexandre de Moraes, do STF, de acionar a "máquina de perseguição política" logo após o encerramento da apuração.
O parlamentar relatou que a intimação para entregar os documentos ocorreu na segunda-feira (26), após visitar seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que se encontra em prisão domiciliar em Brasília. Embora em vídeo divulgado na ocasião tenha afirmado que cumpriria a ordem e que "nunca tinha nem pensado em sair do país", Flávio justificou a mudança de postura na carta desta quarta, alegando ter antevisto um "golpe de Estado".
“Não era minha intenção deixar minha pátria, mas eu sei exatamente onde isso vai dar. Isso é o manual clássico de qualquer golpe de Estado”, declarou na carta.
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Ao final do documento, o senador garantiu que não abandonou os brasileiros e que continuará a se dirigir "regularmente ao povo" no exterior. "Esta luta não terminou no dia 25 de outubro. Ela só termina quando o Brasil voltar a ser um país livre. E esse dia vai chegar", finalizou.
A rota de saída do Brasil
Flávio Bolsonaro desembarcou em Miami, nos Estados Unidos, nesta quarta-feira, acompanhado de sua esposa, Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, e das duas filhas do casal. O trajeto até o território norte-americano envolveu uma complexa logística para evitar o espaço aéreo brasileiro e cruzar a fronteira em descumprimento à ordem do STF.
De acordo com a Direção Nacional de Migrações da Argentina, a família cruzou a Ponte Internacional Tancredo Neves, entre Foz do Iguaçu (PR) e Puerto Iguazú, às 22h50 de terça-feira (27). Após a travessia terrestre, o grupo embarcou em um avião particular no Aeroporto Internacional de Puerto Iguazú.
A aeronave realizou uma parada técnica para reabastecimento em Guayaquil, no Equador, pousando às 5h25 e decolando novamente às 6h22, conforme dados do serviço de rastreamento FlightAware. O horário previsto de chegada aos Estados Unidos era às 11h39 (horário de Brasília).
O Supremo Tribunal Federal e a Polícia Federal analisam os desdobramentos jurídicos diante da saída do parlamentar do território nacional e do descumprimento das medidas cautelares impostas.