Uma mudança importante promete impactar diretamente quem está no processo para tirar a primeira habilitação no Brasil. O governo federal determinou que os Departamentos Estaduais de Trânsito (Detrans) passem a exigir o exame toxicológico para todos os cidadãos que desejam emitir a primeira Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
A nova diretriz foi formalizada por meio de um ofício enviado pela Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) aos órgãos estaduais responsáveis pela fiscalização e legislação de trânsito no país.
O que muda na prática?
Até então, o exame toxicológico era uma exigência restrita aos motoristas profissionais, que possuem ou desejam obter habilitação nas categorias C, D e E (como condutores de caminhões, vans e ônibus). Com a nova determinação, a regra se estende para a base de novos condutores:
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Categorias afetadas: A exigência passa a valer para a expedição da Permissão para Dirigir (PPD) — a famosa carteira provisória — tanto para motos (categoria A) quanto para carros (categoria B).
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Quem precisa fazer: A medida alcança os candidatos que estão iniciando o processo e que ainda não realizaram as provas teóricas e práticas.
A PPD é o documento que autoriza o cidadão a conduzir veículos por um período de 12 meses. Após esse ano de testes, a CNH definitiva só é emitida se o condutor não tiver cometido nenhuma infração de natureza grave ou gravíssima, nem ser reincidente em multas médias. Agora, além do histórico limpo de infrações, o resultado negativo no exame toxicológico passa a ser um pré-requisito legal desde o início da jornada.
Base legal e implementação
A obrigatoriedade do exame para a primeira habilitação foi instituída pela Lei nº 15.153, de 26 de junho de 2025. A partir do ofício da Senatran, cada Detran estadual assume a responsabilidade de acelerar o processo de implementação tecnológica e operacional da medida em seus respectivos sistemas.
Como o exame toxicológico é realizado a partir da coleta de amostras de cabelo, pelos ou unhas (capazes de detectar o consumo de substâncias psicoativas em um período que costuma variar de 90 a 180 dias), os estados precisarão credenciar e integrar a rede de laboratórios parceiros ao processo de primeira habilitação.
Próximos passos e regulamentação
Embora a determinação já tenha sido enviada aos órgãos estaduais, as regras definitivas, detalhes sobre prazos de validade do exame e fluxos específicos de transição ainda dependem de análises e da publicação de uma resolução oficial por parte do Conselho Nacional de Trânsito (Contran).
A expectativa é que a medida traga debates sobre o custo final do processo de habilitação para o bolso do cidadão e, por outro lado, reforce as políticas de segurança viária e redução de acidentes nas vias brasileiras.