Falsa entrega e execução: Polícia Civil indicia autores e conclui inquérito de homicídio no bairro Ipiranga, em Divinópolis (MG)

Jovem de 27 anos foi executado com vários tiros no rosto após ser visto com gangue rival. Executor já estava preso por tráfico de drogas e teve mandado de prisão preventiva cumprido na prisão

DIVINÓPOLIS / CENTRO-OESTE – A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) anunciou, nesta segunda-feira (18), a conclusão do inquérito policial que investigava o assassinato de um homem de 27 anos no bairro Ipiranga, em Divinópolis. O crime foi totalmente elucidado pelo setor de homicídios da delegacia local.

O principal investigado pelo crime, um jovem de 26 anos apontado como o executor dos disparos, teve o seu mandado de prisão preventiva formalmente cumprido dentro do próprio sistema prisional. Ele já se encontrava detido desde setembro do ano passado após ser flagrado cometendo o crime de tráfico de drogas.

A Emboscada: Simulando uma Entrega

O trabalho minucioso da perícia técnica e dos investigadores da PCMG conseguiu reconstruir a dinâmica exata do dia do crime. Segundo o relatório policial, os criminosos montaram uma emboscada fria e calculada para surpreender a vítima.

 

O executor foi até a residência da vítima e, de forma dissimulada, bateu ao portão simulando que faria a entrega de uma mercadoria. Sem desconfiar da armadilha, o jovem de 27 anos saiu de casa para atender o chamado. No momento em que apareceu no portão, ele foi recebido por uma sequência de múltiplos disparos de arma de fogo efetuados à queima-roupa.

Os laudos periciais anexados ao inquérito confirmaram a crueldade da ação: a maioria dos tiros atingiu a região da cabeça e do rosto da vítima, impossibilitando qualquer chance de defesa ou socorro.

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Motivação: A Guerra de Gangues

As investigações apontaram que a ordem para a execução partiu de uma violenta rivalidade entre grupos criminosos que disputam territórios na região Centro-Oeste do estado.

De acordo com a apuração, a vítima selou seu destino fatal no dia anterior ao crime, quando cometeu o "erro" de ser vista publicamente na companhia de integrantes de uma gangue opositora à do executor. O simples fato de conversar ou estar no mesmo ambiente que os rivais fez com que o jovem de 27 anos passasse a ser considerado um alvo imediato da organização criminosa.

Tecnologia e Inteligência na Elucidação do Caso

Para chegar ao desfecho do inquérito e identificar todos os responsáveis, a equipe da Polícia Civil de Minas Gerais realizou uma força-tarefa que uniu tecnologia e trabalho de campo:

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  • Análise de Imagens: Quilômetros de gravações de câmeras de segurança de comércios e residências vizinhas foram minuciosamente analisados para traçar a rota de chegada e fuga dos criminosos;

  • Provas Testemunhais: Depoimentos de testemunhas que presenciaram a movimentação ou que conheciam a rotina dos envolvidos foram colhidos sob sigilo;

  • Relatórios de Inteligência: Cruzamento de dados telemáticos e informações do submundo do crime organizado em Divinópolis ajudaram a fechar o quebra-cabeça.

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Indiciamento e Próximos Passos

Com o encerramento do caso, o executor de 26 anos e um segundo indivíduo que participou do planejamento da ação foram formalmente indiciados por homicídio qualificado. As qualificadoras incluídas pela Polícia Civil foram motivo fútil (a mera rivalidade entre bairros/gangues) e utilização de recurso que dificultou e impossibilitou a defesa da vítima (a emboscada com a falsa entrega).

O inquérito policial, agora totalmente relatado e com provas robustas, foi encaminhado ao Poder Judiciário e ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), que deve apresentar a denúncia formal à Justiça nos próximos dias para que os acusados sejam levados a júri popular.

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