Lula aconselhou dono do Banco Master a não vender instituição ao BTG antes de colapso, revelam mensagens da PF

Documentos da Operação Compliance Zero mostram tentativa de venda do Master por valor simbólico de R$ 1. Desdobramentos da crise levam presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, a prestar

BRASÍLIA – Novos desdobramentos da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal (PF), trazem à tona os bastidores políticos e financeiros que antecederam a falência do Banco Master. Documentos inéditos revelam que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aconselhou diretamente o empresário Daniel Vorcaro, principal acionista da instituição, a não levar adiante a venda do banco para o BTG Pactual.

O encontro estratégico ocorreu no dia 4 de dezembro de 2024, no Palácio do Planalto. A reunião, que até então vinha sendo mantida longe dos holofotes, contou com um peso político considerável: a participação de três ministros de Estado, além de outros diretores e executivos de alto escalão do Banco Master. Os detalhes dessa conversa foram revelados em reportagem publicada pelo portal UOL.

O plano de venda por R$ 1 e as mensagens secretas

O aconselhamento presidencial ganharia contornos dramáticos nos meses seguintes. Conforme as investigações avançavam sobre fraudes financeiras sistêmicas praticadas pela diretoria do Master, a situação da instituição deteriorou-se rapidamente.

Mensagens interceptadas pela Polícia Federal mostram que, em abril de 2025, Daniel Vorcaro buscou desesperadamente uma saída de emergência. Em conversas com seu então sócio, Augusto Lima, Vorcaro discutiu um plano para transferir o controle do banco ao BTG Pactual pelo valor simbólico de apenas R$ 1. O objetivo era repassar o controle e os passivos da instituição antes do estouro definitivo da crise.

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Em um diálogo obtido pela PF, datado de 10 de abril de 2025, o tom de urgência e o temor de vazamentos ficam evidentes:

Daniel Vorcaro (20h46): "Irmão pelo amor de Deus. Não passe isso pra ninguém."

Augusto Lima (em seguida): "Lógico irmão. Tá doido."

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O veto do Banco Central e a liquidação

Antes de tentar a cartada final com o BTG, o Banco Master já havia tentado uma fusão com o setor público. A instituição foi oferecida ao Banco de Brasília (BRB), estatal do Distrito Federal. No entanto, o negócio travou devido a profundas irregularidades detectadas nas carteiras de crédito do Master.

A derrocada final começou em setembro de 2025, quando o Banco Central (BC) formalizou o veto definitivo à transação com o BRB. Sem saídas de mercado e com um rombo financeiro insustentável, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master em novembro de 2025.

Crise chega ao Senado: Galípolo sob fogo cruzado

Os reflexos da Operação Compliance Zero reverberam fortemente no Congresso Nacional. A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal realiza, nesta terça-feira (19), uma audiência pública com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.

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De acordo com o senador Renan Calheiros (MDB-AL), presidente do colegiado, o foco central do encontro mudou drasticamente após as últimas revelações da PF. Galípolo será amplamente questionado sobre o papel fiscalizador da autoridade monetária: o Senado quer saber por que o Banco Central demorou a agir e como uma instituição com graves fraudes em sua carteira operou livremente e chegou a transitar nos gabinetes mais importantes da República.

A "Emenda Master" e o envolvimento de Ciro Nogueira

O componente político da investigação torna o cenário ainda mais tenso. Um dos membros titulares da CAE que deve participar do interrogatório a Galípolo é o senador Ciro Nogueira (PI), presidente nacional do Progressistas (PP).

Ciro Nogueira tornou-se alvo central da quinta fase da Operação Compliance Zero, tendo mandados de busca e apreensão cumpridos em seus endereços. A Polícia Federal apura se o parlamentar recebeu vantagens indevidas da cúpula do Banco Master para patrocinar a chamada "emenda Master".

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O projeto de autoria de Nogueira tinha como objetivo elevar o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) — que protege correntistas em caso de falência bancária — dos atuais R$ 250 mil para R$ 1 milhão, o que, na visão dos investigadores, serviria como um colchão financeiro sob medida para estancar a fuga de grandes investidores do Master antes de sua quebra.

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