UBERLÂNDIA / MINAS GERAIS – A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta terça-feira (19), a Operação Scutum 3. A ação visa desarticular e sufocar financeiramente uma organização criminosa de alta periculosidade, especializada no tráfico internacional e no comércio ilegal de armas de fogo e munições de uso restrito e proibido.
O principal reduto dessa célula criminosa estava fixado em Uberlândia, na região do Triângulo Mineiro, servindo como um ponto estratégico de distribuição para várias regiões do país.
O "Modus Operandi": Ex-militar e Clube de Tiro
Esta terceira fase da operação é o resultado de um minucioso trabalho de inteligência e cruzamento de dados. Após a análise dos materiais apreendidos nas fases 1 e 2, os investigadores da PF conseguiram mapear a estrutura interna do bando e identificar as funções específicas de seus integrantes em Uberlândia.
O núcleo contava com uma divisão de tarefas muito bem definida:
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O Guardião: Um dos suspeitos civis era o responsável direto pelo armazenamento, ocultação e segurança logística de todo o arsenal que chegava à cidade.
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O Especialista: O grupo contava com o apoio técnico de um ex-militar. Aproveitando-se de sua condição de funcionário de um clube de tiro da região, ele tinha a função de testar e calibrar o armamento pesado e as munições da organização criminosa dentro do próprio estabelecimento, tentando dar uma fachada de legalidade ou normalidade à atividade.
Rota Internacional e Conexão com Facções
De acordo com as investigações, o Triângulo Mineiro funcionava como um "hub" logístico. A quadrilha era responsável por trazer as armas de fogo diretamente do Paraguai. Após cruzarem a fronteira brasileira, os armamentos entravam em território nacional e eram estocados na região de Uberlândia e em pontos estratégicos do estado de Goiás.
Posteriormente, esse arsenal de uso restrito — que inclui armas de alto poder de destruição — era revendido de forma ilegal para compradores de outros estados. A Polícia Federal apurou que os principais destinos finais eram os estados do Rio de Janeiro e da Bahia, mercados fortemente inflacionados pelo crime organizado e por facções criminosas.
Asfixia Financeira: R$ 66 Milhões Bloqueados
Além de desarmar o esquema logístico, a Operação Scutum 3 mirou o bolso da organização. Diante das provas apresentadas pela Polícia Federal, a Justiça Federal deferiu uma ordem de bloqueio de bens e valores que pode chegar a R$ 66 milhões.
O montante milionário é proporcional ao tamanho do esquema. Os investigadores descobriram que, ao longo dos anos, o grupo criou uma complexa rede para promover a lavagem de capitais, tentando reintroduzir o dinheiro sujo do tráfico de armas na economia formal por meio de laranjas e empresas de fachada.
Graves Acusações
Os alvos e investigados nesta fase da operação foram indiciados e poderão responder por uma série de crimes graves. Somadas, as penas podem ultrapassar décadas de reclusão. As acusações incluem:
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Formação de organização criminosa;
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Comércio ilegal de arma de fogo;
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Tráfico internacional de arma de fogo de uso restrito ou proibido;
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Lavagem de capitais.
A Polícia Federal continua analisando os novos materiais apreendidos nesta terça-feira para identificar outros possíveis integrantes, compradores e a extensão completa da rede de lavagem de dinheiro do grupo.