Brasília – A direção da Polícia Federal (PF) promoveu uma alteração de peso nos bastidores de suas divisões de elite. O delegado Guilherme Figueiredo Silva foi substituído da chefia do inquérito que apura um esquema de desvios milionários no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Ele ganhou os holofotes recentemente ao ser o responsável por solicitar a abertura de investigações contra Fábio Luís Lula da Silva, o "Lulinha", filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Até o momento da substituição, o delegado ocupava o cargo de chefe da Divisão de Repressão a Crimes Previdenciários (Delegprev) da Polícia Federal, uma cadeira estratégica no combate a fraudes contra os cofres públicos.
Silêncio sobre a motivação da troca
A Polícia Federal adotou uma postura reservada. A corporação não informou se a destituição ocorreu a pedido do próprio delegado ou se tratou de uma decisão estritamente institucional do comando da PF, baseada em critérios de conveniência administrativa.
A falta de uma justificativa clara alimenta os bastidores em Brasília, dado o forte teor político que envolve qualquer investigação ligada a familiares do chefe do Executivo.
O peso do inquérito e a conexão com o STF
A investigação em questão não é trivial. O delegado Guilherme Figueiredo Silva assumiu a linha de frente e a coordenação dos trabalhos logo após o caso ser remetido ao Supremo Tribunal Federal (STF), devido ao envolvimento de autoridades ou à complexidade do alcance da organização criminosa.
Sob o comando de Silva, a operação mirava uma rede sofisticada suspeita de fraudar concessões de aposentadorias e desviar recursos que deveriam amparar os segurados do INSS. Foi durante o aprofundamento dessas diligências que surgiram indícios que levaram o delegado a pedir a inclusão do nome de Lulinha nas apurações, para averiguar possíveis ligações ou vantagens indevidas.
Prisões emblemáticas no caso
A atuação do agora ex-chefe da Delegprev foi marcada por decisões contundentes. Foi Silva quem representou e obteve o mandado de prisão contra o empresário Antônio Camilo Antunes, amplamente conhecido no submundo do crime previdenciário como "Careca do INSS".
Segundo as investigações da PF, "Careca" é apontado como o principal articulador e líder do esquema criminoso. Ele operava facilidades dentro do órgão para liberar pagamentos fraudulentos e desviar verbas públicas em larga escala.
Próximos passos
Com a saída de Guilherme Figueiredo Silva, a Polícia Federal deve anunciar nos próximos dias o nome do novo chefe da Delegprev, que herdará a condução do inquérito do INSS. O novo presidente do caso terá o desafio de dar continuidade às investigações e decidir os rumos das apurações que envolvem os familiares do presidente da República, sob o olhar atento da opinião pública e do Judiciário.
O espaço segue aberto para manifestações da defesa de Fábio Luís Lula da Silva e dos demais citados no inquérito.