Brasília – A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta quinta-feira (14), uma nova e contundente fase da Operação Compliance Zero, aprofundando as investigações sobre uma rede de espionagem, corrupção e intimidação liderada pelo empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. A ação revela que os tentáculos da organização criminosa alcançaram o coração da própria corporação encarregada de investigá-la.
Corrupção Interna: Delegada e Agente sob Suspeita
O desdobramento mais impactante desta fase foi a identificação de "toupeiras" dentro da Polícia Federal. Uma delegada da PF (cujo nome é mantido sob sigilo) foi imediatamente afastada de suas funções por ordem judicial. Além dela, um agente da corporação foi preso.
Ambos são suspeitos de atuar como informantes de Daniel Vorcaro, que já se encontra detido na Superintendência da PF em Brasília. Segundo o inquérito, os servidores repassavam informações sigilosas sobre o andamento de investigações, permitindo que o grupo se antecipasse a ações policiais e monitorasse adversários com dados privilegiados do Estado.
Prisão de Henrique Vorcaro: O Núcleo Familiar e Financeiro
Outro alvo central da operação foi Henrique Vorcaro, pai de Daniel e atual controlador do banco investigado. Ele foi preso preventivamente após as apurações indicarem sua participação ativa nas movimentações financeiras do grupo.
A PF aponta que Henrique não apenas tinha conhecimento das atividades ilícitas, mas operava como uma peça-chave na engenharia de lavagem de dinheiro, garantindo o fluxo de capital necessário para manter a estrutura de monitoramento e pressão do grupo.
O "Modus Operandi": Intimidação e Espionagem Cibernética
A organização liderada pelos Vorcaro é descrita pela PF como uma estrutura altamente profissional voltada para a obtenção de vantagens ilícitas através do medo. Entre as práticas identificadas estão:
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Monitoramento e Intimidação: Uso de dados sigilosos para pressionar desafetos empresariais, ex-funcionários, autoridades públicas e jornalistas que investigavam o grupo.
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Ataques de Hacker: Invasão de dispositivos eletrônicos e quebra de sigilo de comunicações.
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Corrupção Ativa: Pagamento de propina a agentes públicos para garantir impunidade e acesso a bancos de dados restritos.
Conexões Internacionais: Invasão ao FBI e Interpol
A investigação tomou proporções globais quando a PF descobriu que Daniel Vorcaro teria ordenado ataques cibernéticos contra sistemas de altíssima segurança. Além de invadir as redes da própria PF e do Ministério Público Federal, o grupo teria tentado (ou conseguido) acessar dados de organismos internacionais como o FBI (EUA) e a Interpol.
Mandados e Autorização Judicial
Esta etapa da Compliance Zero foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça. As equipes da Polícia Federal cumpriram mandados de prisão, busca e apreensão nos estados de:
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Minas Gerais;
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Rio de Janeiro;
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São Paulo.
Os envolvidos responderão por uma série de crimes graves, incluindo organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, invasão de dispositivo eletrônico e violação de sigilo funcional.
Resumo das Acusações
| Alvo | Medida Judicial | Suspeita Principal |
| Daniel Vorcaro | Já preso | Liderança e ordens de ataques cibernéticos |
| Henrique Vorcaro | Prisão Preventiva | Operação financeira e lavagem de dinheiro |
| Delegada da PF | Afastamento | Vazamento de informações sigilosas |
| Agente da PF | Prisão | Colaboração com a organização criminosa |