Flávio Bolsonaro confirma visita a dono do Banco Master após prisão e tenta salvar filme sobre Jair

Em nota, senador admite encontro com Daniel Vorcaro em São Paulo sob monitoramento eletrônico. Investigação revela bastidores de financiamento milionário de "Dark Horse" e explode na campanha

BRASÍLIA – O cenário político nacional foi sacudido nesta terça-feira (19) com a confirmação de que o senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), visitou pessoalmente o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, logo após este ter sido detido pela Polícia Federal.

A informação, revelada inicialmente pelo portal Metrópoles, foi confirmada pelo próprio parlamentar por meio de uma nota oficial. O encontro ocorreu em São Paulo, cidade na qual Vorcaro cumpre medidas cautelares restritivas.

Em sua manifestação, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro tentou justificar a agenda com o banqueiro envolvido em fraudes financeiras sistêmicas:

“Eu estive com ele, mais uma vez, quando ele passou a usar monitoramento eletrônico e não poderia sair da cidade de São Paulo. Fui, sim, ao encontro dele para ‘botar um ponto final’ nessa história e dizer que, se ele tivesse me avisado que a situação era grave como essa, eu já teria ido atrás de outro investidor há muito mais tempo, e o filme não correria risco”, declarou o senador.

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O "Efeito Compliance Zero" e as prisões do banqueiro

O investidor ao qual Flávio Bolsonaro se refere é o pivô da Operação Compliance Zero, que investiga um rombo bilionário e fraudes no sistema financeiro nacional. Daniel Vorcaro foi preso pela primeira vez no dia 17 de novembro de 2025, na esteira da primeira fase da operação, quando tentava fugir do país.

A Polícia Federal apurava há quase um ano a "fabricação de carteiras de crédito sem lastro financeiro". Conforme os relatórios dos agentes federais, esses títulos podres foram vendidos ao Banco de Brasília (BRB). Posteriormente, após uma rigorosa fiscalização do Banco Central (BC), o Master tentou substituir os papéis por outros ativos que sequer possuíam avaliação técnica adequada.

Embora tenha conseguido um habeas corpus que o colocou em liberdade 12 dias após a primeira prisão — passando a usar tornozeleira eletrônica —, o cerco se fechou novamente. No dia 4 de março de 2026, Vorcaro voltou a ser preso preventivamente durante a deflagração da terceira etapa da operação.

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"Dark Horse": O financiamento secreto de R$ 134 milhões

O investidor de peso que Flávio Bolsonaro tanto tentava proteger orbitava em torno da produção de “Dark Horse” (Cavalo Corredor, em tradução livre), uma superprodução cinematográfica internacional que promete contar a história do ex-presidente Jair Bolsonaro, com lançamento estrategicamente agendado para 11 de setembro de 2026, em plena campanha eleitoral.

Documentos vazados e obtidos pelo site Intercept Brasil apontam que o dono do Banco Master havia se comprometido a injetar US$ 24 milhões (aproximadamente R$ 134 milhões na cotação da época) para bancar o longa-metragem. Deste total, pelo menos US$ 10 milhões foram integralmente repassados entre fevereiro e maio de 2025.

As mensagens interceptadas revelam uma forte cobrança por parte de Flávio Bolsonaro. Em outubro de 2025, o senador enviou mensagens em tom de urgência a Vorcaro, alertando que o caixa da produção cinematográfica estava "no limite". Pouco antes de o escândalo explodir, no dia 2 de novembro de 2025, uma reunião secreta na mansão do banqueiro em São Paulo selou os rumos do filme, contando inclusive com as presenças do astro de Hollywood Jim Caviezel e do diretor de cinema Cyrus Nowrasteh.

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Flávio Bolsonaro reage e ataca oposição e imprensa

Apesar do forte desgaste de imagem, Flávio Bolsonaro adotou uma postura de ataque público durante um evento político realizado na última sexta-feira (15), na pré-candidatura de Guilherme Derrite (PP-SP) ao Senado. Na ocasião, ele defendeu a captação privada para a realização do filme de seu pai e criticou duramente o governo atual.

Flávio utilizou como contra-ataque o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói no Carnaval de 2026, que homenageou o presidente Lula, alegando que os adversários usam "propaganda política" financiada indiretamente de outra forma. Na mesma linha de discurso, o senador desferiu duras críticas ao Intercept Brasil, classificando o veículo de comunicação como “suspeito” e acusando os jornalistas de tentarem “interceptar o futuro do país”.

Pesquisa aponta forte desgaste na corrida ao Planalto

A repercussão da ligação entre a família Bolsonaro e o banqueiro preso teve um impacto imediato e devastador na opinião pública. De acordo com a rodada mais recente da pesquisa Atlas/Bloomberg, divulgada nesta terça-feira, o caso afetou diretamente as pretensões eleitorais de Flávio Bolsonaro.

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Os dados coletados revelam que o escândalo alcançou um nível de capilaridade raramente visto no país:

  • 95,6% dos entrevistados afirmaram ter total conhecimento sobre o vazamento dos áudios e mensagens entre Flávio e Vorcaro;

  • 93,9% declararam ter ouvido os áudios gravados;

  • 64,1% dos brasileiros avaliam que o episódio enfraquece a candidatura de Flávio Bolsonaro ao Palácio do Planalto — sendo que 45,1% apontam que "enfraqueceu muito" e 19% dizem que "enfraqueceu um pouco".

Com a produção de "Dark Horse" paralisada pela falta de fluxo financeiro do Master e a Polícia Federal avançando nas ramificações da Compliance Zero, a campanha da oposição ruma para um terreno de extrema incerteza.

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