Minas Gerais endurece regras no sistema prisional e isola líderes de facções após nova Lei Antifacção

BELO HORIZONTE – O Governo de Minas Gerais anunciou, nesta primeira quinzena de abril de 2026, um pacote de medidas rigorosas destinadas a retomar o controle absoluto das unidades prisionais de segurança máxima no estado. O foco principal é o isolamento de lideranças do crime organizado, buscando cortar as linhas de comunicação que permitem a emissão de ordens para crimes cometidos nas ruas.

A iniciativa mineira está alinhada à recém-sancionada Lei Antifacção (PL 5582/2025), que entrou em vigor em março e alterou profundamente o Código Penal brasileiro.

1. O "Cercadinho" das Lideranças: Restrições em Segurança Máxima

As novas diretrizes da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) estabelecem um protocolo mais severo para os presídios que abrigam presos de alta periculosidade.

  • Visitação Restrita: As visitas em unidades de segurança máxima sofreram alterações drásticas. Agora, o fluxo de visitantes passa por uma triagem ainda mais rigorosa, com o objetivo de impedir que familiares ou advogados sejam utilizados — muitas vezes sob coação — como "pombos-correio" do crime.

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  • Isolamento Estratégico: Líderes de facções serão mantidos em alas com menor contato interpessoal, visando desestruturar a hierarquia das organizações e impedir a cooptação de novos detentos para o crime organizado.

2. O Impacto da Nova Legislação Nacional

As medidas em Minas Gerais ganham força com a nova legislação federal. O Projeto de Lei Antifacção trouxe ferramentas jurídicas que antes eram inexistentes ou frágeis:

  • Penas Severas: A condenação por participação em organização criminosa agora pode chegar a 40 anos, dobrando o teto anterior em casos específicos.

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  • Fim das Regalias na Progressão: Os critérios para progressão de regime (do fechado para o semiaberto) tornaram-se muito mais rígidos. O bom comportamento já não é o único requisito; agora exige-se a comprovação de desvinculação total com a facção.

  • Asfixia Financeira: A nova lei permite o confisco imediato e o rastreamento avançado de ativos financeiros vinculados ao crime, atingindo o "bolso" das organizações e dificultando o financiamento de ataques e logística criminosa.

3. Tecnologia e Operação Sinapse: A Modernização do Sistema

O governo mineiro tem investido pesadamente na automação das unidades prisionais. O objetivo é reduzir o contato direto entre policiais penais e detentos em áreas de risco, utilizando aberturas de celas e monitoramento 100% automatizados.

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Além disso, a Polícia Penal de Minas Gerais tem intensificado a Operação Sinapse, uma ação coordenada de inteligência que utiliza cruzamento de dados e revistas eletrônicas constantes para detectar qualquer tentativa de reorganização interna.

"Minas Gerais não será terreno fértil para o crime organizado. Estamos investindo em inteligência e tecnologia para garantir que o líder criminoso que entre no sistema saia dele sem qualquer poder de influência", destacou a cúpula da Segurança Pública mineira durante o anúncio.

Desafios e Repercussão

Embora as medidas sejam celebradas por setores que pedem mais segurança pública, órgãos de direitos humanos alertam para a necessidade de manter o equilíbrio e evitar que as restrições atinjam presos de baixa periculosidade, o que poderia gerar instabilidade e motins nas unidades comuns.

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O Governo de Minas, por sua vez, afirma que o endurecimento é cirúrgico e focado exclusivamente no topo da pirâmide do crime organizado.

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