Uma ação de alta precisão da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) desarticulou, na noite desta sexta-feira (22), um dos principais centros de distribuição de drogas e armas vinculados à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) na Região Metropolitana. A operação ocorreu no bairro Tupi B, na região Norte de Belo Horizonte, resultando na prisão de três suspeitos — incluindo um casal — e no confisco de um patrimônio ilegal estimado em R$ 25 milhões.
O volume e o calibre dos materiais retirados de circulação evidenciam o nível de organização do grupo criminoso, que operava um verdadeiro "bunker" logístico em uma área residencial da capital.
Da Abordagem de Rotina ao "Bunker" da Facção
O desfecho da operação foi fruto do faro operacional e de um desdobramento rápido do setor de inteligência. Tudo começou durante um patrulhamento tático rodoviário preventivo. Militares do Batalhão de Polícia Militar Rodoviária (BPMRv) deram ordem de parada a um veículo Nissan Versa de cor preta.
Durante uma busca minuciosa no interior do veículo, as equipes localizaram um fundo falso oculto. Dentro do compartimento camuflado, estavam escondidas oito barras de cocaína puríssima. Diante do flagrante inequívoco, o condutor do carro, um homem de 29 anos, acabou cedendo à pressão dos policiais e confessou que guardava mais materiais em uma residência localizada no bairro Tupi B.
Com o apoio imediato do Grupamento Tático Rodoviário (GTR) e das Rondas Ostensivas com Cães (ROCCA), a PM cercou o endereço indicado. Ao entrarem no imóvel, os policiais confirmaram que a estrutura funcionava como depósito central da organização criminosa para o abastecimento de bocas de fumo da capital e cidades vizinhas.
O Arsenal e as Drogas Confiscadas
A varredura realizada pelos cães farejadores e pelas equipes táticas localizou uma quantidade industrial de entorpecentes e armas de alto poder de destruição, frequentemente utilizadas em confrontos de facções e assaltos a bancos na modalidade "novo cangaço".
Substâncias Entorpecentes:
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112 barras de cocaína (alto grau de pureza);
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257 invólucros de maconha do tipo "Colômbia Gold" (variedade hidropônica com alto valor de mercado);
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Mais de 600 porções e barras fracionadas de maconha prensada tradicional e crack.
Armamento e Equipamento Militar:
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1 Fuzil Colt calibre 5.56 (arma de guerra de fabricação norte-americana);
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1 Submetralhadora Ruger 9mm;
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1 Pistola Glock equipada com "kit rajada" (mecanismo que transforma a arma semiautomática em automática);
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1 Colete balístico de alta proteção com placa cerâmica nível 3 (capaz de reter tiros de fuzil);
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Munições de prontidão: 54 cartuchos de calibre 5.56 e 77 cartuchos de calibre 9mm.
Além disso, foram recolhidos camisetas e distintivos falsificados da Polícia, artifício comumente utilizado pelos criminosos para forjar operações policiais, enganar vigilâncias e executar rivais sem levantar suspeitas iniciais no momento da abordagem.
Casal e Cúmplice Presos em Flagrante
O homem de 29 anos abordado no veículo assumiu a responsabilidade direta pelo armazenamento das substâncias, mas preferiu invocar seu direito constitucional de permanecer em silêncio quando questionado sobre quem forneceu as armas e para quais lideranças do PCC as drogas seriam entregues.
No interior da casa-depósito, a PM também prendeu a esposa do suspeito, uma mulher de 31 anos, e uma jovem de 21 anos que operava na contabilidade e na guarda do local. Os três envolvidos receberam voz de prisão imediata e foram autuados pelos crimes de:
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Tráfico ilícito de entorpecentes;
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Posse ilegal de arma de fogo de uso restrito e proibido;
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Associação criminosa qualificada.
Toda a carga bilionária de drogas foi encaminhada para perícia técnica no Instituto de Criminalística para atestar o peso exato e a composição química. O armamento passará por exames de balística para descobrir se foi utilizado em homicídios recentes no estado. O caso agora segue sob a responsabilidade da Polícia Civil de Minas Gerais, que investigará as ramificações e lavagem de dinheiro da facção no território mineiro.