Uma intensa perseguição policial chamou a atenção de moradores e motoristas em Governador Valadares (MG), na noite da última segunda-feira (18). Um jovem que pilotava uma motocicleta disfarçado de entregador de aplicativo mobilizou a equipe GEPMOR (Grupo Especializado em Policiamento em Motocicletas) em um cerco que cruzou seis bairros da cidade.
A ação ocorreu no âmbito da Operação Maio Amarelo 2026, iniciativa voltada justamente para a conscientização e a redução de acidentes no trânsito. O desfecho da fuga perigosa ocorreu de forma inusitada quando o infrator desistiu da escapada e clamou pela mãe na porta de sua residência.
A Suspeita e o Início da Fuga
Os militares do GEPMOR realizavam patrulhamento estratégico quando depararam-se com uma motocicleta Honda/CG 160 Start, de cor vermelha. Ao notar as motocicletas da polícia, o condutor mudou bruscamente de direção e acelerou o veículo.
O que chamou a atenção dos policiais, além da manobra evasiva, foi o fato de o suspeito carregar uma mochila térmica de entregas (conhecida como "bag") e levar repetidamente a mão à cintura, simulando estar armado ou tentando esconder algum objeto ilícito.
Os policiais emitiram ordens de parada por meio de sirenes e sinais luminosos, mas o motociclista desobedeceu e iniciou uma fuga em altíssima velocidade.
Rota de Perigo: Seis Bairros na Linha de Frente
O circuito de fuga transformou ruas e avenidas residenciais em uma pista de corrida clandestina. O acompanhamento tático começou na divisa entre os bairros Castanheiras e Figueiras.
Na tentativa de despistar os policiais do GEPMOR, o piloto executou o seguinte itinerário:
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Fugiu em direção ao bairro Industrial;
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Passou pelas proximidades do Aeroporto de Governador Valadares;
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Retornou ao bairro Castanheiras e avançou rumo à movimentada Avenida JK;
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Adentrou as ruas do bairro JK;
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Foi interceptado e finalmente cercado no bairro Vale Pastoril.
Durante o trajeto, o condutor demonstrou total desprezo pela segurança pública. Para tentar escapar, ele transitou pela contramão em vias de faixa dupla contínua, realizou ultrapassagens proibidas, ignorou cruzamentos com paradas obrigatórias e transpôs diversos redutores de velocidade (quebra-molas) sem acionar os freios, quase provocando colisões com outros veículos e pedestres.
O Desfecho: "Socorro, Mãe!"
Ao perceber que a agilidade e a potência das motocicletas do GEPMOR tornavam a fuga impossível, o rapaz decidiu parar a moto abruptamente na calçada de sua própria casa, no bairro Vale Pastoril.
Desesperado, o jovem começou a esmurrar o portão da residência, gritando e clamando pelo socorro de sua mãe. No entanto, os militares agiram rápido e efetuaram a abordagem antes que ele pudesse entrar no imóvel.
Moto Modificada para "Grau" e Enxurrada de Multas
Após a contenção do condutor, os policiais realizaram a vistoria técnica e constataram uma série de irregularidades administrativas e criminais:
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Habilitação: O jovem não possui Permissão para Dirigir e nem Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
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Condições do Veículo: A moto trafegava sem os espelhos retrovisores, com os dois pneus completamente desgastados (carecas) e com a placa de identificação quebrada e lixada na borda inferior para dificultar a leitura dos radares.
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Cultura do "Grau": A motocicleta apresentava modificações e avarias típicas de quem pratica manobras radicais e proibidas (o chamado "grau"), como danos severos na parte traseira, rabeta e lanterna lixadas por rasparem no asfalto.
Ao consultarem o sistema informatizado do Departamento de Trânsito de Minas Gerais (Detran-MG), os policiais descobriram uma extensa ficha de irregularidades atrelada ao veículo: a motocicleta já possuía 3 autuações e 38 multas de trânsito cadastradas.
Implicações Jurídicas: O jovem recebeu voz de prisão em flagrante e foi conduzido à Delegacia de Plantão da Polícia Civil. Ele responderá criminalmente com base nos Artigos 309 (Dirigir veículo em via pública sem habilitação gerando perigo de dano) e 311 (Trafegar em velocidade incompatível com a segurança) do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), além do Artigo 330 do Código Penal (Crime de Desobediência). A motocicleta foi apreendida e rebocada para o pátio credenciado do Detran.