O cenário político nos estados brasileiros passou por uma reconfiguração profunda neste sábado (4). A data marcou o fim do prazo para que agentes públicos que pretendem disputar as eleições de outubro deixem seus cargos, processo conhecido juridicamente como desincompatibilização. Ao todo, 11 governadores renunciaram aos seus mandatos para viabilizar suas candidaturas, seja à Presidência da República ou ao Senado Federal.
O que é a Desincompatibilização?
A regra, prevista na Lei Complementar nº 64/1990, exige que chefes do Poder Executivo (governadores, prefeitos e o próprio Presidente) deixem seus postos seis meses antes do pleito caso queiram disputar cargos diferentes dos que ocupam atualmente. O objetivo é evitar que o uso da máquina pública e o poder político do cargo em exercício criem um desequilíbrio na disputa eleitoral.
Foco no Planalto: Os nomes que miram a Presidência
Entre os governadores que deixaram o cargo, dois já oficializaram a intenção de disputar a chefia do Palácio do Planalto:
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Ronaldo Caiado (PSD-GO): O agora ex-governador de Goiás anunciou sua pré-candidatura na última semana, posicionando-se como um dos principais nomes da direita para o pleito nacional.
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Romeu Zema (Novo-MG): Após encerrar seu segundo mandato consecutivo em Minas Gerais, Zema já havia lançado sua pré-candidatura em 2025, buscando consolidar sua imagem de gestor eficiente a nível nacional.
Corrida pelo Senado: 9 nomes na disputa
A maioria dos governadores que renunciaram busca agora uma cadeira no Legislativo Federal. O movimento é estratégico para manter o capital político e garantir imunidade e visibilidade nos próximos oito anos. Os nomes são:
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Gladson Cameli (PP-AC)
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Wilson Lima (União-AM)
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Ibaneis Rocha (MDB-DF)
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Renato Casagrande (PSB-ES)
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Mauro Mendes (União-MT)
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Helder Barbalho (MDB-PA)
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João Azevêdo (PSB-PB)
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Antonio Denarium (PP-RR)
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Cláudio Castro (PL-RJ)
O caso Cláudio Castro: A situação do ex-governador do Rio de Janeiro é a mais delicada. Condenado pelo TSE à inelegibilidade até 2030, Castro renunciou mesmo assim e deve registrar sua candidatura sub judice, dependendo de recursos judiciais para garantir a validade de seus votos.
Quem continua no cargo?
Nem todos os governadores precisaram sair. A legislação permite que ocupantes do Executivo disputem a reeleição (para um segundo mandato consecutivo) permanecendo no cargo.
Candidatos à Reeleição (9 governadores):
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Nordeste: Jerônimo Rodrigues (BA), Elmano de Freitas (CE), Rafael Fonteles (PI), Fábio Mitidieri (SE) e Raquel Lyra (PE).
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Sul/Sudeste: Tarcísio de Freitas (SP) e Jorginho Mello (SC).
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Centro-Oeste/Norte: Eduardo Riedel (MS) e Clécio Luís (AP).
Cumprindo o mandato até o fim (7 governadores):
Estes gestores já estão no segundo mandato e decidiram não disputar outros cargos nestas eleições, optando por finalizar a gestão em 31 de dezembro:
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Paulo Dantas (AL), Carlos Brandão (MA), Ratinho Junior (PR), Fátima Bezerra (RN), Eduardo Leite (RS), Marcos Rocha (RO) e Wanderlei Barbosa (TO).
Calendário Eleitoral 2026
Com as renúncias consolidadas, o foco agora se volta para as convenções partidárias e o início oficial das campanhas.
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1º Turno: 4 de outubro de 2026.
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2º Turno: 25 de outubro de 2026.
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Eleitores aptos: Cerca de 155 milhões de brasileiros.
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Cargos em disputa: Presidente e Vice-Presidente, Governadores, Senadores (duas vagas por estado), Deputados Federais e Deputados Estaduais/Distritais.
Nota ao leitor: No caso de governadores que renunciaram, os vice-governadores assumem o comando definitivo dos estados até o fim do mandato, em 1º de janeiro de 2027.