NOVA SERRANA (MG) – O que deveria ser um momento de despedida e luto transformou-se em um cenário de violência e intervenção policial na manhã da última segunda-feira (30/03), no bairro São Marcos, em Nova Serrana. De acordo com o Portal G1 Centro-Oeste, uma divergência sobre a prestação de serviços funerários entre o proprietário do estabelecimento e a família de um idoso de 69 anos, recém-falecido, culminou em uma briga generalizada com danos materiais e feridos leves.
O Estopim: Divergência sobre Planos e Cobranças
De acordo com o registro da Polícia Militar (PM), a confusão teve início devido a um "desacordo comercial". A família do falecido possuía um plano funerário contratado em 2015, mas, no momento de preparar o corpo para o velório, surgiram impasses sobre custos adicionais.
O cerne da discussão girou em torno de dois pontos principais:
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Tanatopraxia: A preparação especial do corpo, que não estaria inclusa no plano básico.
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A Urna (Caixão): A necessidade de um modelo maior ou superior ao previsto no contrato original.
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A Versão do Proprietário
Wagner Rocha, dono da funerária, sustenta que a empresa seguiu as normas contratuais. Segundo ele, o plano da família era antigo e básico, não cobrindo procedimentos modernos de preparação.
"Informamos que seria necessário o pagamento de uma diferença de cerca de R$ 1 mil devido à escolha de uma urna de padrão superior. A filha se exaltou e partiu para as agressões físicas", afirmou o empresário, que atua no setor há mais de 20 anos. Ele nega ter tomado o celular da cliente propositalmente, alegando confusão com o aparelho de sua esposa durante o embate.
O Relato da Família: "Sentimento de Humilhação"
Do outro lado, Flaviane Natório Aparecida, de 44 anos, filha do idoso, relata uma madrugada de angústia e falta de resolutividade. Segundo ela, o contato com a funerária começou às 3h40, mas até as 10h o velório não havia sido providenciado.
Flaviane afirma que aceitou pagar os R$ 900 pela preparação do corpo, mas sentiu-se coagida quando a empresa condicionou o atendimento ao pagamento de mais R$ 900 por uma urna maior, alegando que o corpo do pai estava inchado.
"Perdi a cabeça após ser desrespeitada no momento de maior dor da minha vida. Comecei a filmar quando ele disse que não faria o enterro se eu não pagasse a diferença", desabafou a auxiliar administrativa.
Intervenção Policial e Desfecho
Vídeos que circulam nas redes sociais mostram o momento da "pancadaria" dentro do estabelecimento, com trocas de agressões e o corpo do idoso ainda presente no local. A Polícia Militar registrou a ocorrência como "vias de fato". Dois envolvidos tiveram lesões leves e um celular foi danificado durante a briga.
Após o incidente e a orientação dos militares, os envolvidos foram liberados, mas o caso foi encaminhado à Polícia Civil de Minas Gerais, que deve apurar as responsabilidades pelas agressões e danos.
Troca de Prestador de Serviço
Diante do trauma e da quebra de confiança, a família optou por cancelar os serviços com a empresa envolvida na confusão. O sepultamento do idoso foi realizado por outra funerária da cidade, contratada de forma particular. Segundo a filha, nesta segunda empresa o pai foi sepultado em uma urna padrão, sem as exigências de valores adicionais que geraram o conflito inicial.
Análise do Consumidor: Especialistas orientam que, em casos de planos funerários antigos, as famílias revisem as coberturas periodicamente para evitar surpresas em momentos críticos. Em caso de abuso em cobranças, o PROCON deve ser acionado.