IGUATAMA (MG) – A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) deflagrou, no final da tarde da última terça-feira (31/3), uma operação denominada "Slim Body" (Corpo Magro), com o objetivo de combater a venda e aplicação ilegal de substâncias para fins estéticos e de emagrecimento. A ação ocorreu na região central de Iguatama, no Centro-Oeste mineiro, e resultou na apreensão de 96 frascos de produtos altamente perigosos à saúde.
Investigação e Denúncia
O trabalho investigativo foi iniciado após a Polícia Civil receber denúncias sobre a comercialização e aplicação clandestina de medicamentos em um estabelecimento da cidade. Segundo os levantamentos, o local funcionava sem as devidas autorizações sanitárias e oferecia tratamentos baseados em substâncias de procedência duvidosa.
Durante as diligências no curso da operação, os agentes localizaram dezenas de frascos contendo Tirzepatida e Retatrutida. Ambas são substâncias que ainda não possuem registro ou autorização para comercialização no Brasil, sendo classificadas como proibidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Além da proibição legal, os policiais constataram que os produtos não possuíam qualquer nota fiscal ou comprovante de origem, o que caracteriza a entrada ilegal desses insumos no mercado local.
O Perfil dos Investigados
A operação identificou um casal como responsável pelo esquema: um homem de 28 anos e uma mulher de 44 anos. De acordo com as investigações da PCMG, eles utilizavam as redes sociais para divulgar os serviços de emagrecimento e atrair clientes, realizando tanto a venda direta quanto a aplicação dos produtos de forma totalmente irregular.
O casal foi conduzido à Delegacia de Polícia Civil em Iguatama, onde prestaram depoimento sobre a origem dos frascos e o tempo em que operavam na região.
Risco à Saúde Pública
O delegado responsável pelo caso, Emmanuel Robson Gomes, fez um alerta severo sobre os perigos desse tipo de prática.
“A conduta dos investigados, além de configurar infração penal gravíssima, coloca em risco a saúde das pessoas que se submetem ao tratamento com medicação proibida e de origem clandestina”, destacou a autoridade policial.
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Substâncias sem registro sanitário podem causar efeitos colaterais severos e irreversíveis, já que não há garantia sobre a composição química, condições de armazenamento ou dosagens seguras.
Consequências Jurídicas
Se as investigações confirmarem a autoria e a intenção delitiva, os suspeitos poderão ser indiciados com base no Artigo 273 do Código Penal. O crime de falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais é considerado hediondo e prevê penas rígidas de reclusão, que podem variar de 10 a 15 anos.
A Polícia Civil segue com o inquérito para identificar se há outros envolvidos no fornecimento dessas substâncias para a região Centro-Oeste.