Mutirão de Catarata: 11 pacientes perderam o globo ocular após cirurgia na Bahia

A crise sanitária decorrente de um mutirão de catarata realizado em Salvador (BA) ganhou novos e dramáticos contornos nesta terça-feira (10). A Secretaria Municipal da Saúde (SMS) confirmou que subiu para 11 o número de pacientes que precisaram ser submetidos à evisceração ocular — um procedimento irreversível onde todo o conteúdo interno do olho é removido após complicações infecciosas graves.

Ao todo, 26 pessoas seguem sob monitoramento rigoroso da rede pública, sem qualquer previsão de alta hospitalar.

Entenda a Gravidade: O que é a Evisceração Ocular?

A evisceração ocular não é apenas uma perda de visão, mas a perda da estrutura do órgão. Ela é indicada em casos de endoftalmite (infecção interna do olho) fulminante, quando não há mais resposta a antibióticos e o risco de a infecção se espalhar para o cérebro ou para o resto do corpo torna-se iminente.

O Foco do Surto: A "Sala das Intercorrências"

As investigações da SMS revelaram dados alarmantes sobre o fluxo de atendimento na clínica Clivan, unidade que prestava serviços via Sistema Único de Saúde (SUS):

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Irregularidades Graves e Falta de Autorização

Um dos pontos mais críticos levantados pela secretaria é que o mutirão não foi autorizado pela gestão municipal. A realização de cirurgias em massa sem a validação do gestor do SUS fere gravemente o contrato e o fluxo de regulação.

Outro detalhe técnico reforça a suspeita de irregularidade: a SMS identificou que solicitações de autorização para as cirurgias foram inseridas no sistema apenas no dia 2 de março, quase uma semana após a realização dos cortes, em uma tentativa tardia de regularizar os procedimentos já com os pacientes apresentando infecções.

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Perfil das Vítimas e Assistência

O levantamento aponta que o impacto da tragédia ultrapassa os limites da capital baiana. Dos pacientes afetados:

  • 14 são residentes de Salvador.

  • 11 são oriundos de municípios do interior da Bahia.

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Atualmente, as vítimas estão distribuídas em hospitais de referência, como o Hospital Geral do Estado (HGE) e o Hospital Santa Luzia, onde recebem suporte de equipes especializadas em oftalmologia e infectologia.

Medidas Judiciais e Administrativas

Diante do cenário, a Prefeitura de Salvador adotou sanções máximas contra a clínica Clivan:

  1. Interdição imediata da unidade.

  2. Suspensão do alvará sanitário.

  3. Cancelamento definitivo do convênio com o município.

  4. Abertura de processo administrativo sanitário.

  5. Denúncia formal ao Ministério Público e ao Conselho Regional de Medicina (Cremeb) para apuração de responsabilidade civil e profissional.

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