PF Envia ao STF Inquérito sobre Voo de Luxo com Hugo Motta, Ciro Nogueira e Empresário das Bets

BRASÍLIA – Um novo desdobramento nas investigações da Polícia Federal (PF) colocou a cúpula do Legislativo brasileiro sob os holofotes do Supremo Tribunal Federal (STF). O caso envolve suspeitas de contrabando ou descaminho em um voo particular vindo do Caribe, que transportava o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), o senador Ciro Nogueira (PP-PI), os deputados Doutor Luizinho (PP-RJ) e Isnaldo Bulhões (MDB-AL), além do empresário Fernando Oliveira Lima, sócio de uma plataforma de apostas online.

O inquérito foi enviado nesta semana ao gabinete do ministro Alexandre de Moraes, no STF, devido à presença de parlamentares com foro privilegiado.

O Trajeto e a Conexão com a "CPI das Bets"

O voo ocorreu em abril de 2025, partindo da ilha de Saint Martin, conhecida como um paraíso fiscal no Caribe, com destino ao Aeroporto Executivo Catarina, em São Roque (SP). Na época, o Senado Federal mantinha ativa a CPI das Bets, que investigava a regulamentação e possíveis crimes financeiros no setor de apostas — comissão da qual o senador Ciro Nogueira era integrante.

A aeronave utilizada pertence a Fernando Oliveira Lima, empresário do setor e investigado pela própria CPI. Embora Lima tenha registrado momentos da viagem de luxo em suas redes sociais, os parlamentares não aparecem nas fotos públicas.

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A Suspeita: Câmeras Flagram Bagagem "Por Fora" do Raio-X

A investigação da PF não nasceu inicialmente dos passageiros, mas de uma suspeita sobre o auditor fiscal Marco Canella. Indiciado em outro processo por facilitar contrabando, Canella foi flagrado pelas câmeras de segurança do aeroporto permitindo um procedimento irregular.

Segundo os relatórios da PF:

  • Um funcionário do empresário Fernando Lima desembarcou com sete volumes de bagagem.

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  • Sob autorização do auditor, esses volumes não passaram pelo raio-X, contornando o protocolo obrigatório da Receita Federal.

  • Os parlamentares passaram suas malas pessoais pelo procedimento normal, mas a PF ainda não conseguiu determinar se as bagagens "desviadas" continham pertences de algum dos políticos ou apenas do empresário.

Remessa ao STF e o Risco Jurídico

Em despacho oficial, a Polícia Federal afirmou que a continuidade das investigações sem a supervisão do Supremo seria "temerária". O texto sugere que novas apurações podem indicar o envolvimento direto dos parlamentares nas condutas ilícitas do auditor fiscal e do empresário.

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"Caso as investigações indiquem que (...) haja outras condutas ilícitas, bem como que uma das pessoas mencionadas [parlamentares] tenham envolvimento, os autos devem tramitar junto ao Supremo Tribunal Federal", diz trecho do relatório parcial.

Próximos Passos

O ministro Alexandre de Moraes já encaminhou o caso para a Procuradoria-Geral da República (PGR). Caberá ao procurador-geral opinar se existem indícios suficientes para a abertura de um inquérito formal de investigação contra os parlamentares ou se o caso deve ser arquivado por falta de provas de participação direta no suposto esquema de descaminho.

Até o fechamento desta reportagem, as assessorias de Hugo Motta, Ciro Nogueira, Doutor Luizinho e Isnaldo Bulhões, bem como a defesa do empresário Fernando Lima e do auditor Marco Canella, foram procuradas, mas não se manifestaram. O espaço permanece aberto para futuras atualizações.

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Resumo dos Envolvidos:

Nome Cargo / Função
Hugo Motta Presidente da Câmara dos Deputados
Ciro Nogueira Senador e membro da CPI das Bets (na época)
Fernando Oliveira Lima Empresário do setor de apostas (dono da aeronave)
Doutor Luizinho Deputado Federal
Isnaldo Bulhões Deputado Federal
Marco Canella Auditor Fiscal (suspeito de facilitar o desembarque)

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