LIMEIRA (SP) – O trágico acidente que tirou a vida de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, na manhã deste sábado (13), desencadeou uma grave crise institucional. Em nota oficial emitida nesta tarde, a Prefeitura de Limeira anunciou que vai acionar o Governo Federal na Justiça. A administração municipal alega omissão reiterada das autoridades federais na fiscalização, manutenção e controle de acesso à Ponte do Esqueleto.
Segundo a nota do Executivo, a continuidade da falta de posicionamento de Brasília tornou-se "insustentável e inaceitável" após a morte da jovem. A prefeitura revelou que vinha adotando medidas administrativas e cobrando providências formais junto aos ministérios e órgãos federais responsáveis pela área desde o início de 2025, mas nunca obteve respostas ou ações práticas.
O nó jurídico: Área e responsabilidade são federais
A Ponte do Esqueleto é uma antiga estrutura ferroviária desativada que pertence à União. Por se tratar de um território federal, a Prefeitura de Limeira ressaltou que não possui competência legal ou jurisdição para interditar, realizar obras de contenção ou manter vigilância permanente com a Guarda Civil Municipal (GCM) no local.
O município destacou que tanto a administração direta quanto o Poder Legislativo local já haviam esgotado as vias administrativas de cobrança. Por iniciativa da vereadora Bruna Magalhães, a Câmara Municipal enviou uma série de ofícios e alertas formais detalhando o risco iminente de acidentes na estrutura devido ao aumento do fluxo de turismo de aventura e eventos de bungee jump e rope jump sem regulação. Nenhuma providência concreta foi adotada pelos órgãos federais.
Prefeito cobra apuração de responsabilidade civil da União
O prefeito de Limeira, Murilo Félix, subiu o tom contra o Governo Federal e associou diretamente a falta de resposta dos órgãos centrais ao desfecho trágico deste sábado.
"Além das circunstâncias que levaram à morte da jovem, é preciso apurar a responsabilidade pela falta de controle de acesso a uma área federal que, há anos, apresenta riscos conhecidos e segue sem as medidas de proteção necessárias. A Prefeitura e a Câmara vêm cobrando providências há meses para que o Governo Federal assuma sua responsabilidade. Infelizmente, a omissão federal acaba de resultar em mais uma tragédia em Limeira", declarou publicamente o chefe do Executivo.
Com a judicialização, o departamento jurídico do município pretende forçar a União a cercar a área, instalar sinalização de perigo e exercer o poder de polícia para impedir que novas empresas instalem plataformas de salto na ponte.
O acidente e os desdobramentos policiais
De acordo com o boletim emitido pela Polícia Militar, a tragédia ocorreu durante uma operação comercial privada. Os operadores da atividade de bungee jump falharam no protocolo mais básico de segurança e não conectaram a corda elástica ao corpo da jovem de 21 anos antes de autorizar o salto.
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado às pressas pelas testemunhas, mas ao chegar ao fundo do vale, a equipe médica pôde apenas constatar que Maria Eduarda sofreu uma parada cardiorrespiratória irreversível decorrente do forte impacto. O corpo foi isolado e encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) de Limeira para os exames necroscópicos.
Logo após o incidente, uma operação integrada das polícias Civil e Militar resultou na prisão em flagrante de seis pessoas ligadas à organização da atividade. Entre os detidos estão os instrutores que manipularam a plataforma de salto e os responsáveis pela empresa. Eles permanecem detidos e passarão por audiência de custódia.