Relatório do Congresso dos EUA acusa China de operar base aeroespacial não oficial em Salvador (BA)

BRASÍLIA / WASHINGTON – Um documento de 36 páginas divulgado recentemente por uma comissão do Congresso dos Estados Unidos acendeu um alerta diplomático e de segurança nacional ao detalhar a presença tecnológica chinesa na América do Sul. O relatório acusa Pequim de manter uma estrutura de monitoramento camuflada sob operações civis em solo brasileiro: a chamada Estação Terrestre "Tucano", localizada em Salvador, na Bahia.

De acordo com os congressistas americanos, a estação teria sido consolidada por meio de um acordo firmado em 2020. Oficialmente, o local opera sob o guarda-chuva da Alya Space, uma empresa brasileira do setor aeroespacial, em parceria direta com a gigante chinesa Beijing Tianlian Space Technology. O objetivo declarado da cooperação é a análise de dados de satélites, mas o governo dos EUA sustenta que a finalidade real possui camadas militares e de inteligência.

Integração com a Defesa Brasileira e Riscos de Soberania

O que mais preocupa as autoridades de Washington, segundo o documento, não é apenas a presença física da base, mas a sua capilaridade nas instituições brasileiras. O relatório destaca que a Alya Nanosatellites assinou um memorando de entendimento com o Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) da Força Aérea Brasileira (FAB).

 

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Essa parceria prevê:

  • Treinamento Militar: Capacitação de pessoal da FAB em simulações de órbita.

  • Redundância Logística: O uso de antenas da própria Força Aérea como sistema de backup para a base "Tucano".

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Para o Congresso dos EUA, essa simbiose abre um precedente perigoso. O texto afirma que a integração oferece à China um canal direto para "observar e influenciar a doutrina espacial militar brasileira", além de estabelecer uma presença fixa em uma região que os EUA consideram vital para a segurança do hemisfério ocidental.

Vigilância em Tempo Real e "Ativos Camuflados"

O relatório sustenta que a tecnologia empregada em Salvador permitiria a Pequim desenvolver uma capacidade de vigilância de alta revisitação. Na prática, isso significaria o monitoramento constante capaz de identificar ativos militares camuflados e rastrear objetos espaciais estrangeiros (incluindo satélites americanos) em tempo real, operando a partir do Atlântico Sul.

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Um detalhe geopolítico crucial separa o Brasil de seus vizinhos: enquanto o relatório mapeia bases chinesas em países como a Argentina, apenas a estrutura em Salvador é classificada especificamente como "não oficial" — sugerindo que sua operação ocorre fora dos marcos tradicionais de cooperação estatal transparente. Ao todo, o Brasil é citado nominalmente 15 vezes no documento.

O Projeto BINGO e a Ciência Multinacional

Nem todos os pontos do relatório focam em espionagem direta. O documento também cita a participação brasileira em uma iniciativa de radioastronomia de escala global: o projeto BINGO (BAO from Integrated Neutral Gas Observations).

Este esforço multinacional visa detectar oscilações acústicas de bárions por meio de radiofrequências, buscando entender a expansão do universo. Embora seja um projeto acadêmico que envolve instituições da África do Sul, Reino Unido, Suíça e França, os congressistas americanos observam com cautela a liderança e o financiamento chinês dentro desses consórcios científicos em território brasileiro.

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Reações e Silêncio Oficial

Até o momento, o Ministério da Defesa e a Força Aérea Brasileira não emitiram uma nota oficial detalhada respondendo às acusações específicas do relatório americano. Especialistas em relações internacionais sugerem que o Brasil se encontra em uma posição delicada, equilibrando a parceria comercial estratégica com a China e a pressão de segurança exercida pelos Estados Unidos.

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