Corrupção na Polícia: Quatro agentes do Depatri são presos em desdobramento da Operação Carga Pesada II em Minas Gerais

BELO HORIZONTE E RIBEIRÃO DAS NEVES – Uma ação conjunta de combate à corrupção institucional abalou as estruturas da Polícia Civil de Minas Gerais na manhã desta terça-feira (3). Três investigadores e um escrivão, todos lotados no Departamento Estadual de Investigação de Crimes Contra o Patrimônio (Depatri), foram presos temporariamente durante a segunda fase da “Operação Carga Pesada II”.

A ofensiva, coordenada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), visa desarticular uma suposta rede de proteção e facilitação de crimes que operava dentro de uma das unidades mais estratégicas da segurança pública mineira.

O Esquema: Propina em troca de impunidade

De acordo com as investigações conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Patos de Minas, os agentes públicos são suspeitos de integrar uma organização criminosa dedicada ao roubo e furto de cargas.

Os indícios apontam que os policiais recebiam vantagens indevidas (propinas) para blindar criminosos que já haviam sido alvos da primeira fase da operação. Em tese, os agentes utilizavam seus cargos para desviar o foco das investigações, vazar informações privilegiadas ou omitir atos de ofício, permitindo que a quadrilha continuasse operando livremente nas rodovias mineiras.

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Logística da Operação nesta terça-feira

Ao todo, foram cumpridos quatro mandados de prisão temporária e quatro de busca e apreensão em endereços residenciais e funcionais nas cidades de Belo Horizonte e Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana.

A operação é fruto de uma força-tarefa composta por:

  • Gaeco (MPMG): Unidade de Patos de Minas à frente das investigações.

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  • Polícia Militar (PMMG): Apoio operacional no cumprimento dos mandados.

  • Corregedoria da Polícia Civil (PCMG): Acompanhamento interno para apuração de infrações administrativas e éticas.

O Histórico: Da carga roubada à adulteração de veículos

O grupo criminoso que teria corrompido os policiais é apontado como uma organização altamente sofisticada. Além do roubo e furto de mercadorias, os criminosos atuavam no desvio patrimonial e na adulteração de sinais identificadores de veículos, criando "clones" para facilitar o transporte de produtos ilícitos por diversos estados.

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Na primeira fase da Operação Carga Pesada, deflagrada em junho de 2025, o impacto foi nacional. Na ocasião, foram cumpridos 25 mandados de prisão e 22 de busca e apreensão, alcançando cidades como Patrocínio, Uberaba, Ibiá e Alfenas, além de ramificações em Caruaru (PE) e Itaitinga (CE). Foi justamente a partir dos materiais apreendidos nessa etapa que os promotores chegaram aos nomes dos policiais presos hoje.

Próximos Passos e Resposta Institucional

Os quatro servidores detidos foram encaminhados para prestar depoimento e deverão permanecer à disposição da Justiça em unidades prisionais especiais para policiais.

Em nota, a Polícia Civil de Minas Gerais afirmou que não tolera desvios de conduta e que a Corregedoria instaurou processos administrativos que podem culminar na expulsão dos agentes do quadro da instituição, independentemente do resultado do processo penal.

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Destaques da Operação

  • Alvos: 3 Investigadores e 1 Escrivão (Depatri).

  • Locais: BH e Ribeirão das Neves.

  • Crimes investigados: Corrupção passiva, associação criminosa e prevaricação.

  • Origem: Desdobramento de investigações iniciadas em junho de 2025.

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