NOVA SERRANA (MG) – Um caso chocante mobilizou a Polícia Militar e a Polícia Civil em Nova Serrana, na região centro-oeste de Minas Gerais, nesta quarta-feira (7). Uma adolescente de apenas 17 anos foi apreendida em flagrante, suspeita de tentar envenenar a comida dos próprios pais e de um primo com "chumbinho", um veneno agrícola de alta toxicidade. O motivo, segundo as investigações preliminares, seria a reprovação dos pais a um relacionamento amoroso da jovem.
Desentendimento e a Confissão
De acordo com informações da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), o incidente teria sido precedido por uma intensa discussão na madrugada anterior ao crime. A adolescente e a mãe teriam se desentendido por volta das 2h da manhã, em um atrito que culminou no plano da jovem.
Questionada pelos militares, a adolescente confessou ter adulterado as marmitas que seriam consumidas pelos familiares. O major Renato Geraldo da Silva, que acompanhou a ocorrência, explicou que a motivação seria a "raiva" sentida pela filha devido à desaprovação de seus pais quanto ao seu namoro.
"Ela confessa que o frasco [do veneno] já estava na casa e fala dessa discussão que houve na madrugada porque ela saiu sem consentimento", detalhou o major.
Durante a vistoria nos alimentos, foram encontrados pequenos grãos pretos, consistentes com a aparência do raticida "chumbinho", uma substância ilegal e extremamente perigosa.
A Dinâmica da Tentativa de Envenenamento
A tragédia só não foi maior devido à perspicácia de um dos familiares. O primo da adolescente, um homem de 36 anos, foi o primeiro a se servir da marmita. Ao iniciar a refeição, ele notou uma textura e sabor estranhos na comida, o que o levou a interromper imediatamente o consumo.
Preocupado, o primo alertou o tio, pai da adolescente, sobre a possível adulteração dos alimentos. Rapidamente, ele buscou atendimento médico. No hospital, passou por uma lavagem estomacal preventiva e, felizmente, permaneceu em observação com quadro clínico estável, sem maiores complicações.
Graças ao alerta, os pais da adolescente, de 35 e 41 anos, não chegaram a ingerir as marmitas envenenadas, escapando de uma possível intoxicação fatal.
Investigação e Próximos Passos
A perícia da Polícia Civil foi acionada e compareceu ao local do crime. As marmitas, inclusive uma que estava intacta e não chegou a ser servida, foram recolhidas para análise.
"Vai ser feito o trabalho pericial até mesmo para comprovar qual substância que foi colocada", afirmou o militar, ressaltando a importância da prova técnica.
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A adolescente foi apreendida em flagrante pelo ato infracional análogo à tentativa de homicídio. Ela foi encaminhada à Delegacia de Polícia Civil de Nova Serrana, acompanhada por uma representante legal, conforme prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Após os procedimentos iniciais, a jovem foi apresentada à Promotoria da Infância e da Juventude, que dará continuidade ao caso. A investigação segue em andamento para apurar todos os detalhes e circunstâncias da grave ocorrência.