BRASÍLIA – O ex-presidente Jair Bolsonaro sofreu um traumatismo craniano leve durante a madrugada desta terça-feira (6), após sofrer uma queda em sua cela na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. O incidente, que envolveu um choque da cabeça contra um móvel da carceragem, gerou um imediato embate de narrativas entre os familiares do ex-mandatário e as autoridades responsáveis pela sua custódia.
O Incidente e a Denúncia de Michelle Bolsonaro
O caso veio a público por meio das redes sociais da ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro, que relatou momentos de angústia. Segundo ela, o ex-presidente teria sofrido uma "crise" (sem especificar a natureza médica) enquanto dormia, o que causou o desequilíbrio e a queda.
A denúncia mais grave de Michelle refere-se ao tempo de resposta da carceragem. De acordo com a ex-primeira-dama, o socorro só foi prestado horas depois, quando os agentes abriram a cela para o início do horário de visitas. "Meu amor não está bem. Como o quarto permanece fechado, ele só recebeu atendimento quando foram chamá-lo para a minha visita", escreveu ela, que finalizou a mensagem com um desabafo: "Só Deus".

Diagnóstico Médico e Estado de Saúde
A confirmação do diagnóstico de traumatismo craniano leve foi feita pelo cirurgião de confiança de Bolsonaro, Dr. Carlos Birolini, e apurada pela jornalista Rany Veloso, da Jovem Pan.
Birolini detalhou que, embora o ex-presidente esteja consciente e orientado, o quadro inspira cuidados rigorosos de observação. O histórico clínico complexo de Bolsonaro — marcado por diversas cirurgias abdominais e episódios de obstrução intestinal desde 2018 — torna qualquer trauma físico um fator de alerta para sua equipe médica particular.
Impasse Judicial: Hospitalização depende do STF
Em contrapartida, o Governo Federal emitiu uma nota oficial buscando minimizar a gravidade do ocorrido. Segundo a perícia realizada pelo médico de plantão da Polícia Federal, foram constatados apenas "ferimentos leves".
A nota oficial afirma que:
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Não foi identificada, preliminarmente, a necessidade de transferência para uma unidade hospitalar externa;
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A recomendação atual é de apenas observação dentro das dependências da PF;
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Qualquer saída de Bolsonaro para hospitais particulares ou públicos depende, exclusivamente, de uma autorização judicial do Supremo Tribunal Federal (STF).
Bastidores na Polícia Federal
No final desta manhã, Michelle Bolsonaro permanecia na sede da Polícia Federal acompanhada da equipe médica particular do ex-presidente. A defesa de Bolsonaro e a ex-primeira-dama aguardam uma audiência com o delegado responsável pela carceragem para exigir os protocolos de atendimento que foram (ou deixaram de ser) aplicados durante a madrugada.
Aliados políticos do ex-presidente já começam a se mobilizar no Congresso, questionando as condições da custódia e pedindo que o atendimento médico seja garantido de forma plena, sem entraves burocráticos, dada a idade e o histórico de saúde do detido.
Linha do Tempo do Incidente (Terça-feira, 6 de janeiro):
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Madrugada: Bolsonaro sofre uma "crise" na cela e cai, batendo a cabeça em um móvel.
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Início da Manhã: O incidente é descoberto por agentes da PF no momento da abertura das celas.
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09:30: Michelle Bolsonaro publica relato nas redes sociais denunciando a falta de socorro imediato.
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10:30: Dr. Carlos Birolini confirma o diagnóstico de traumatismo craniano leve.
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11:15: Governo Federal emite nota afirmando que ferimentos são leves e que hospitalização depende do STF.