André Mendonça determina compartilhamento de provas sobre fraudes no INSS entre Congresso e Polícia Federal

Decisão do ministro André Mendonça fortalece a CPMI e a Operação "Sem Desconto"; medida visa proteger benefícios de milhões de aposentados contra descontos indevidos.

Em uma decisão estratégica para o avanço do combate aos crimes previdenciários, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou o compartilhamento e a entrega de provas obtidas por meio de quebras de sigilo em investigações que apuram fraudes contra o INSS. A decisão, proferida no âmbito do Inquérito 5.026, atende a uma solicitação direta da CPMI do INSS, comissão parlamentar que investiga o esquema de descontos irregulares diretamente nas folhas de pagamento de aposentados e pensionistas.

Os dados, que até então estavam sob a guarda da Presidência do Congresso Nacional, agora serão integrados ao acervo de provas da Polícia Federal e dos órgãos de fiscalização parlamentar.

Fluxo das Provas e Operações Integradas

A decisão de Mendonça estabelece um cronograma rigoroso para o trâmite das informações. O material deverá ser encaminhado à equipe da PF responsável pela Operação Sem Desconto. Após o processamento inicial, os dados serão compartilhados com:

  • Operação Compliance Zero: Outro braço investigativo focado em auditar a segurança dos sistemas de pagamento.

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  • CPMI do INSS: A própria comissão parlamentar, que passará a ter a custódia dos elementos informativos para embasar as oitivas e o relatório final.

Autonomia Parlamentar e Poder Investigativo

Ao fundamentar seu despacho, o ministro André Mendonça reforçou o entendimento constitucional de que as Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) possuem "poderes de investigação próprios das autoridades judiciais". Isso inclui a capacidade de determinar quebras de sigilo e manter a guarda de provas sensíveis.

O ministro destacou que impedir o acesso da CPMI a esses dados configuraria uma "restrição indevida" à autonomia do Legislativo e um obstáculo ao direito das minorias parlamentares de fiscalizarem o Poder Executivo e autarquias como o INSS.

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Foco na Proteção Social e Cadeia de Custódia

O despacho ressalta o "interesse público qualificado" do caso. O esquema investigado atinge milhões de brasileiros vulneráveis que tiveram suas rendas reduzidas por descontos associativos ou bancários não autorizados.

No entanto, Mendonça impôs condições rigorosas para o uso do material:

  1. Preservação da Intimidade: O sigilo dos dados de terceiros estranhos à investigação deve ser mantido.

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  2. Cadeia de Custódia: Rigor absoluto no registro de quem acessa e manuseia as informações para garantir que a prova seja válida em futuros processos judiciais.

Próximos Passos

A decisão já foi comunicada oficialmente à Presidência do Congresso, à Procuradoria-Geral da República (PGR) e à Direção-Geral da Polícia Federal. Com o compartilhamento, a expectativa é que a CPMI possa identificar os mentores intelectuais das fraudes e as empresas que se beneficiaram dos descontos ilegais nos benefícios previdenciários.


O que esta decisão significa na prática?

  • Agilidade: A Polícia Federal e o Congresso deixam de atuar de forma isolada, cruzando dados para identificar padrões de fraude mais rapidamente.

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  • Transparência: A minoria parlamentar ganha munição técnica para cobrar providências do Governo e do INSS.

  • Justiça para o Aposentado: As provas compartilhadas podem acelerar a condenação de criminosos e a devolução de valores descontados indevidamente.

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