O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, cumpre uma agenda estratégica nos Estados Unidos nesta terça-feira (26), o parlamentar foi recebido pelo presidente americano Donald Trump no Salão Oval da Casa Branca, em Washington. O encontro, que teve duração de 1 hora e 40 minutos, ocorre no momento mais sensível da pré-campanha do parlamentar brasileiro, que busca usar a projeção internacional para neutralizar crises políticas internas.
O registro do encontro foi compartilhado pelo próprio senador em suas redes sociais. Na imagem divulgada, Trump aparece despachando em sua mesa oficial de trabalho, enquanto Flávio Bolsonaro posa em pé ao lado do mandatário norte-americano.
O Fator Político: Reversão de Tendência nas Pesquisas
A viagem oficial a Washington foi desenhada pela coordenação de campanha do PL como um fato político de grande impacto, planejado para interromper uma sequência de semanas negativas no Brasil. O comitê eleitoral do senador tenta estancar o desgaste provocado pelas recentes revelações envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Reportagens apontaram que Flávio Bolsonaro teria solicitado repasses financeiros ao banqueiro sob a justificativa de financiar uma produção audiovisual sobre a trajetória de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. O reflexo do episódio foi medido pelos principais institutos de pesquisa do país:
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Queda nos Índices: Os levantamentos mais recentes realizados pelo Datafolha e pela AtlasIntel convergiram ao registrar oscilações negativas nas intenções de voto de Flávio, tanto nas simulações de primeiro turno quanto nos cenários de segundo turno.
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Posicionamento da Campanha: Em coletiva de imprensa concedida na capital americana logo após a reunião, Flávio minimizou o impacto dos números e negou que a agenda com Trump fosse uma cortina de fumaça. "Toda campanha tem altos e baixos", declarou o pré-candidato, rechaçando a tese de que sua articulação enfrente uma crise estrutural.
Segurança Pública e a Polêmica do 'Escudo das Américas'
O principal eixo programático defendido por Flávio Bolsonaro durante a audiência com o presidente americano foi o combate ao crime organizado transnacional. O senador formalizou um pedido expresso para que o governo dos Estados Unidos classifique formalmente as principais facções criminosas brasileiras, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), como organizações terroristas internacionais.
A tese defendida pelo parlamentar contrapõe diretamente a linha diplomática do Palácio do Planalto, gerando forte embate com a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva:
| Posição de Flávio Bolsonaro (PL) | Contraponto do Governo Federal (PT) |
| Defende que as facções operam como redes terroristas que controlam territórios inteiros pela força das armas. | Alerta que a classificação de grupos domésticos como terroristas por potências estrangeiras pode ferir a soberania nacional. |
| Propõe a integração do Brasil ao Escudo das Américas a partir de janeiro de 2027, criando uma aliança hemisférica militar e de inteligência. | Adverte que a medida abre precedentes jurídicos para eventuais intervenções ou ações militares americanas em solo brasileiro. |
Segundo o pré-candidato, o presidente Donald Trump ouviu os argumentos e garantiu que a equipe de segurança nacional da Casa Branca irá avaliar o pedido, embora não tenha firmado nenhum compromisso formal ou resposta imediata durante a reunião.
Geopolítica: Minerais Críticos e Aliança Comercial
Além da pauta de segurança, Flávio Bolsonaro buscou apresentar suas credenciais econômicas e geopolíticas ao governo americano, focando na transição energética e na cadeia de suprimentos global. O senador destacou o potencial brasileiro no setor de terras raras e minerais críticos (insumos fundamentais para indústrias de alta tecnologia, chips e baterias).
Em sua fala, o parlamentar adotou um tom de alinhamento com o bloco ocidental, afirmando que, sob sua eventual presidência, o Brasil se consolidará como a "única alternativa real à China para o mundo livre", prometendo parcerias estratégicas de longo prazo com Washington. Questionado sobre as políticas tarifárias e o protecionismo econômico da gestão Trump, Flávio assegurou que um eventual retorno do PL ao Executivo brasileiro mitigaria tensões comerciais através de um amplo acordo bilateral, eliminando a necessidade de retaliações alfandegárias.
Bastidores Diplomáticos e Próximos Passos
De acordo com interlocutores da campanha, o voo que levou o senador a Washington durou cerca de nove horas, partindo de São Paulo e pousando na capital americana no início da segunda-feira (25/05). Flávio Bolsonaro afirmou publicamente que o convite para a agenda partiu da própria Casa Branca.
No entanto, fontes de bastidores e parlamentares ligados ao PL detalharam que a aproximação foi construída por meio de uma intensa articulação de bastidores liderada pelo ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que mantém residência fixa e trânsito político nos Estados Unidos desde o ano passado.
A agenda do presidenciável em Washington prevê ainda reuniões com diplomatas e secretários do segundo escalão do Departamento de Estado americano. Contudo, encontros com a liderança da diplomacia dos EUA sofrerão restrições de agenda: o secretário de Estado, Marco Rubio, cumpre missão oficial na Índia para tratar de negociações estratégicas envolvendo o Irã e não estará presente na capital federal durante a estadia da comitiva brasileira.