NOVA YORK – No desdobramento jurídico mais aguardado do ano, o ex-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores, oficializaram a contratação de defesas separadas para responder ao processo criminal que tramita no Tribunal do Distrito Sul de Nova York. A confirmação das bancas ocorreu nesta segunda-feira (5), coincidindo com a audiência de custódia do casal, que marca o início oficial do rito processual em solo norte-americano.
As estratégias de defesa: Nomes de peso e histórico internacional
A escolha dos advogados sinaliza uma tentativa de combater as evidências técnicas do Departamento de Justiça com profissionais habituados ao sistema federal dos EUA:
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Defesa de Maduro: Fica a cargo de David Wikstrom, um criminalista com vasta experiência em casos de extradição e tráfico internacional. Wikstrom não é estranho a réus de alto escalão na América Central; ele defendeu o irmão de Juan Orlando Hernández (ex-presidente de Honduras), em um caso que também envolvia conspiração para o narcotráfico. Curiosamente, ele é pai de Derek Wikstrom, um promotor influente, o que destaca seu trânsito nas altas esferas do judiciário estadunidense.
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Defesa de Cilia Flores: A ex-primeira-dama optou pelo texano Mark Donnelly. Donnelly ganhou notoriedade recente ao atuar no complexo e midiático processo de impeachment do procurador-geral do Texas, Ken Paxton. Sua contratação sugere uma estratégia focada em lidar com acusações que possuem forte componente político e administrativo.
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Da captura em Caracas ao tribunal de Manhattan
Nicolás Maduro chegou aos Estados Unidos sob custódia após uma operação militar relâmpago coordenada pelo Pentágono na madrugada do último sábado (3). A captura, realizada no coração de Caracas, encerrou anos de impasse diplomático e colocou Maduro frente a frente com o juiz Alvin Hellerstein.
Hellerstein, um magistrado veterano de 92 anos nomeado por Bill Clinton, é conhecido por seu rigor e celeridade em casos de segurança nacional. Durante a audiência de hoje, o rol de crimes foi formalizado:
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Narcoterrorismo: Acusação de utilizar o Estado venezuelano para financiar atividades terroristas via tráfico.
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Importação de Cocaína: Conspiração para enviar toneladas da droga aos EUA.
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Armamento de Guerra: Posse e conspiração para o uso de metralhadoras em operações criminosas.
O longo caminho judicial: Sem fiança e sem previsão imediata
Especialistas jurídicos consultados por grandes veículos, como The New York Times e NBC News, são unânimes: não há possibilidade de fiança para Maduro. Devido ao alto risco de fuga e à gravidade das acusações, ele deve aguardar todo o processo em uma unidade de detenção federal de segurança máxima.
Além disso, a complexidade do compartilhamento de provas — que envolve milhares de documentos sigilosos, interceptações telefônicas e depoimentos de testemunhas protegidas — deve arrastar a fase preparatória. A estimativa é de que o júri popular só seja formado e o julgamento iniciado em meados de 2027, tornando este um dos processos mais longos e caros da história da justiça federal de Nova York.