Suíça bloqueia ativos de Nicolás Maduro e aliados para evitar fuga de capitais após deposição

Medida tem validade inicial de quatro anos e foca em bens de origem possivelmente ilícita; governo suíço afirma que valores podem ser devolvidos ao povo venezuelano no futuro.

BERNA, SUÍÇA – Em um movimento estratégico para preservar recursos financeiros em meio à transição política na Venezuela, o Conselho Federal da Suíça ordenou, nesta segunda-feira (5), o congelamento imediato de todos os ativos e bens pertencentes ao presidente deposto, Nicolás Maduro, mantidos em território suíço.

A decisão, de caráter urgente, visa "impedir a fuga de capitais" e garantir que recursos públicos venezuelanos não sejam desviados durante a instabilidade institucional que se seguiu à queda do regime.

Ampliação do círculo de sanções

A ordem não se limita apenas ao ex-mandatário. O governo suíço estendeu o bloqueio a um círculo próximo de colaboradores e familiares, incluindo a ex-primeira-dama Cilia Flores, além de filhos, parentes próximos e figuras-chave que ocuparam cargos em ministérios estratégicos.

Em nota oficial, o governo helvético fez uma ressalva importante para garantir a continuidade diplomática:

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"Nenhum membro do governo venezuelano atualmente em exercício está envolvido nestas medidas específicas", esclareceu o comunicado da Secretaria de Estado para Assuntos Econômicos (SECO).

Proteção do patrimônio e possível repatriação

A medida suíça tem um objetivo jurídico claro: se investigações futuras comprovarem que os fundos retidos são fruto de corrupção ou outras atividades ilícitas, o Estado suíço se compromete a realizar a repatriação desses ativos. O destino final, segundo Berna, será o "benefício direto do povo venezuelano", possivelmente por meio de fundos humanitários monitorados internacionalmente.

O congelamento de bens entra em vigor imediatamente e possui uma validade jurídica de quatro anos, podendo ser prorrogado ou revisto caso o cenário político apresente novas evidências ou demandas judiciais.

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Contexto das sanções internacionais

A Suíça, tradicionalmente conhecida por sua neutralidade e pelo sigilo bancário, vem alinhando cada vez mais suas políticas de conformidade com os padrões europeus. Este novo decreto complementa um pacote de sanções que já estava em vigor desde 2018, que incluía restrições de viagem e bloqueio de bens de outras autoridades do regime chavista.

O diferencial desta nova ordem é o alcance: “Os novos congelamentos visam indivíduos que não haviam sido sancionados na Suíça até então”, pontuou o governo. Com isso, Berna busca fechar brechas que permitiam a movimentação financeira de ativos por meio de laranjas ou membros da família que não figuravam nas listas anteriores.

Impacto no sistema financeiro

Especialistas apontam que a decisão envia um sinal forte ao sistema financeiro global. A Suíça deixa de ser um porto seguro para capitais oriundos de governos sob investigação, reforçando sua transparência no combate à lavagem de dinheiro. Bancos suíços agora têm o dever de reportar imediatamente qualquer conta ou propriedade vinculada aos nomes listados no decreto.

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Com Informações: AFP

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