A cúpula da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro (PCERJ) enviou um recado duro ao crime organizado durante a coletiva de imprensa sobre a Operação Trunfo Final. A diretora do Departamento Geral de Polícia da Capital (DGPC), delegada Raíssa Celles, roubou a cena ao adotar um tom firme e crítico à forma como a criminalidade tem sido tratada por setores da sociedade.
A operação teve como alvo principal a estrutura do Comando Vermelho, a maior facção narcoterrorista em atividade no Rio, focando na desarticulação do braço financeiro e na retomada de territórios oprimidos.
A voz contra a "Narcocultura"
Um dos pontos altos da fala de Celles foi o combate à chamada "narcocultura" — o fenômeno de glamourização do estilo de vida de criminosos através de músicas, redes sociais e comportamentos. Para a delegada, não há espaço para ambiguidades quando se trata de quem impõe o terror nas favelas.
"Crime não se romantiza. Vagabundo é vagabundo. Não existe essa figura do 'criminoso social'. O que existe é um indivíduo que escolhe oprimir a própria comunidade para lucrar com o sangue alheio", afirmou a delegada.
Raíssa destacou que a tentativa de criar uma imagem benevolente de chefes de facções é uma estratégia perversa para manter o controle sobre os moradores. "A polícia não pode aceitar narrativas que tentam transformar o algoz em vítima", completou.
O clamor das comunidades: "O morador quer paz"
A diretora do DGPC também rebateu críticas sobre a presença policial em áreas de risco. Segundo ela, a realidade dentro das comunidades, longe das câmeras e dos discursos teóricos, é de um povo que anseia pela libertação do jugo do narcotráfico.
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Presença do Estado: Segundo a delegada, a Polícia Civil trabalha para que a lei chegue a locais onde hoje impera a "lei do tribunal do crime".
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Apoio Popular: "O morador de bem quer paz. E ele sabe que a paz só vem com a ordem. O cidadão honesto quer a Polícia Civil por perto, quer a segurança de poder entrar e sair de casa sem pedir licença para traficante", enfatizou.
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Operação Trunfo Final
A Operação Trunfo Final é considerada um golpe estratégico contra o Comando Vermelho. Além das prisões, a ação focou no bloqueio de contas bancárias e na apreensão de bens de luxo que serviam para ostentação da cúpula da facção.
Para a Polícia Civil, falas como as de Raíssa Celles reforçam a nova diretriz de comunicação da SEPOL: o enfrentamento direto não apenas tático, mas também ideológico contra as organizações criminosas que assolam o Rio de Janeiro.