O clima de tensão que marcou o encerramento do Carnaval Itabeleza 2026 ganhou novos esclarecimentos nesta semana. Após a repercussão da retirada do ex-prefeito Wirley Reis (Têko) de dentro do cordão de isolamento do bloco "Só A Nata", a administração municipal enviou uma nota oficial ao DestakNews para detalhar o ocorrido e negar as acusações de perseguição política.
A Versão da Prefeitura: Segurança dos Músicos em Primeiro Lugar
Em nota enviada pela diretora de Patrimônio Cultural, Vanessa Mesquita, a Prefeitura de Itapecerica esclareceu que a proibição de foliões dentro do cordão dos músicos é uma diretriz técnica consolidada. Segundo Vanessa, que participa da organização, a medida visa proteger os instrumentistas de sopro, que frequentemente sofriam ferimentos na boca devido a esbarrões e cotoveladas em desfiles passados.
"Ficou definido, em comum acordo com os presidentes das bandas, que somente músicos podem permanecer dentro da corda. Para facilitar, eles utilizam camisas com a identificação 'MÚSICO' nas costas", explicou a diretora.
Vanessa ressaltou que a regra é aplicada de forma rígida em todos os blocos, citando exemplos de interrupções de desfiles no sábado e no domingo para garantir o cumprimento da norma. Ela também fez questão de separar a questão técnica da pessoal: "Não tenho absolutamente nada contra o ex-prefeito Têko, que foi meu gestor e tem minha admiração. Trabalhamos com responsabilidade e compromisso".
O Posicionamento do Bloco Só A Nata: "Equívoco Pontual"
O bloco Só A Nata, também utilizou suas redes sociais para prestar esclarecimentos. A organização confirmou a existência da regra de segurança, mas classificou a retirada de Têko como um "equívoco pontual" e uma decisão isolada.
Os principais pontos da nota do bloco foram:
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Autonomia: O bloco afirmou que o incidente ocorreu sem o conhecimento ou autorização da diretoria do "Só A Nata" ou dos coordenadores gerais do Carnaval.
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Isenção Política: Contrariando relatos iniciais, a nota afirma que não houve interferência externa da Prefeitura ou de assessorias na condução do desfile.
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Presença de Autoridades: A agremiação informou que o prefeito Gleytinho do Valério e seu vice chegaram ao local quando o bloco já estava na avenida, não tendo relação com o ocorrido.
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Hospitalidade: A diretoria lamentou o episódio, reforçando que a marca do bloco é a alegria e o respeito a todos os participantes.
Análise do Cenário: Entre a Regra e a Interpretação
Embora a Prefeitura defenda a aplicação técnica de uma norma de segurança vigente há quase uma década, o bloco admite que houve uma falha de comunicação ou interpretação por parte de quem executou a ordem na avenida. O silêncio inicial deu lugar a um esforço conjunto das instituições para despolitizar o evento e tratar o caso como um erro operacional de logística e segurança.
O episódio, no entanto, deixa lições sobre a necessidade de alinhamento fino entre seguranças terceirizados (que, segundo a prefeitura, não conhecem a população local) e a organização dos blocos, especialmente quando figuras públicas e convidados especiais estão envolvidos em performances tradicionais, como a do Mascote da "vaquinha".
Nota da Redação
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