Inteligência da Polícia Civil mapeia Sintonia da Internet e nova hierarquia do PCC

Organograma do Dipol revela que a maior facção criminosa do Brasil profissionalizou sua comunicação digital, criou setores para monitorar redes sociais e expandiu tentáculos para o coração fi

Um relatório confidencial elaborado pelo Departamento de Inteligência da Polícia Civil (Dipol), ao qual nossa redação teve acesso, revela que o Primeiro Comando da Capital (PCC) atingiu um novo patamar de sofisticação institucional. O documento apresenta um organograma detalhado com quase 100 nomes, dividindo a organização em 12 "Sintonias" (setores estratégicos) que funcionam de forma análoga a departamentos de uma multinacional.

A maior novidade, que acendeu o alerta nas autoridades de segurança, é a criação da "Sintonia da Internet", uma célula dedicada exclusivamente à governança digital e à segurança da informação da facção.

A "Sintonia da Internet": Censura, Criptografia e Controle

O relatório aponta que o PCC não utiliza mais a internet apenas para comunicação casual. A "Sintonia da Internet" atua como uma agência de inteligência e relações públicas. Suas principais funções incluem:

  • Monitoramento Total: Supervisão de e-mails criptografados e aplicativos de mensagens para evitar vazamentos e monitorar a lealdade dos membros.

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  • Gestão de Imagem: Estabelecimento de diretrizes rígidas sobre o que integrantes podem postar em redes sociais. Publicações que ostentam luxo excessivo ou expõem a estratégia do grupo sem autorização são punidas com rigor.

  • Comunicação Estratégica: Coordenação de contatos entre lideranças presas e a estrutura nas ruas, utilizando tecnologias que dificultam o rastreio policial.

No comando desta célula estão dois nomes estratégicos: André Luiz de Souza (Amin ou Andrezinho), gerente direto de Marcola e condenado a mais de um século de prisão, e Eduardo Fernandes Dias (Ozora).

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O Núcleo de Poder: "Sintonia Final" e "Sintonia Restrita"

No topo da pirâmide permanece a "Sintonia Final", o conselho consultivo e deliberativo da facção. Embora muitos estejam em presídios federais, a influência de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, como número um, é reafirmada pelo Dipol. Abaixo dele, lideranças históricas como Cláudio Barbará da Silva e Júlio César Guedes de Moraes (Julinho Carambola) mantêm o controle das diretrizes macro da organização.

Já a face mais violenta da facção é representada pela "Sintonia Restrita". Este setor é o braço armado responsável pelo "setor de inteligência" voltado ao extermínio. É daqui que partem os planos de atentados contra autoridades, como o promotor de Justiça Lincoln Gakiya. Entre os oito integrantes deste grupo destaca-se Carlos Alberto Damásio (Malboro).

Expansão Econômica: Das Drogas à Faria Lima

O organograma do Dipol também lança luz sobre a impressionante diversificação financeira do PCC. A facção deixou de ser apenas um cartel de drogas para se tornar uma entidade que infiltra o sistema financeiro legal:

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  1. Mercado Financeiro: Investimentos em fintechs situadas na região da Faria Lima, o coração financeiro do Brasil.

  2. Lavagem de Dinheiro: Aquisição em massa de franquias de diversos setores e redes de postos de combustíveis conhecidas por esquemas de adulteração.

  3. Internacionalização: Operações consolidadas em países vizinhos e rotas de escoamento para a Europa e África.

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Rupturas e Expulsões: O Racha na Cúpula

O documento também identifica as baixas e os "exilados" da organização. Nomes de peso que outrora compunham a elite do PCC, como Roberto Soriano (Tiriça) e Abel Pacheco (Vida Louca), constam como expulsos após divergências diretas com a liderança de Marcola. Esse racha interno é monitorado de perto pela polícia, pois pode resultar em confrontos por território e poder.

O Próximo Passo das Autoridades

Para a Polícia Civil, este mapeamento é a ferramenta mais completa produzida até hoje. O objetivo agora é utilizar o detalhamento da hierarquia para realizar o asfixiamento financeiro da facção. "Entender como eles se organizam digitalmente é o primeiro passo para derrubar a comunicação que mantém a estrutura viva, mesmo com os líderes atrás das grades", afirma um investigador do Dipol.

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