BRASÍLIA – O Palácio do Planalto e o Ministério das Relações Exteriores entraram em estado de alerta máximo na manhã deste sábado (3). O presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou uma reunião de emergência para avaliar as implicações da incursão militar dos Estados Unidos na Venezuela, que culminou na captura de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores.
A movimentação diplomática brasileira ocorre poucas horas após o presidente americano, Donald Trump, anunciar a "Operação de Grande Escala" através de sua rede social. O Brasil, que compartilha mais de 2.000 km de fronteira com a Venezuela, busca agora evitar uma escalada de violência na região e entender o destino dos líderes capturados.
Mobilização no Itamaraty e Retorno de Ministros
A gravidade da situação forçou mudanças imediatas na agenda do alto escalão do governo:
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Mauro Vieira: O Ministro das Relações Exteriores, que estava em recesso de fim de ano até o dia 6, interrompeu as férias e está em deslocamento imediato para Brasília.
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Comando Interino: Até o retorno de Vieira, a secretária-executiva Maria Laura da Rocha lidera as discussões no Palácio Itamaraty, coordenando o contato com embaixadas e monitorando a situação na fronteira em Roraima.
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Lula na Marambaia: O presidente Lula, que descansa com a primeira-dama Janja na Restinga da Marambaia (RJ), está sendo informado minuto a minuto via telefone seguro e deve participar da reunião de forma remota ou retornar à capital federal ainda hoje.
O Brasil e a Diplomacia do Diálogo
Fontes diplomáticas confirmaram que o governo brasileiro já estabeleceu contato com representantes do governo venezuelano — especificamente com a vice-presidente Delcy Rodríguez — para obter informações sobre o paradeiro de Maduro. O Brasil, historicamente defensor da autodeterminação dos povos e da resolução não-violenta de conflitos, vê com preocupação a intervenção direta dos EUA.
A posição do Brasil é delicada: enquanto o governo Lula buscou mediar o diálogo entre o regime chavista e a oposição no passado recente, a ação militar de Trump ignora os protocolos de mediação regional (como os da CELAC e ONU), colocando o Brasil em uma posição de observador de uma intervenção militar direta em seu "quintal".
Monitoramento da Fronteira e Migração
Um dos principais pontos da reunião de emergência será a segurança nacional. O Ministério da Defesa e o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) devem avaliar:
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O reforço da Operação Acolhida: Espera-se um fluxo migratório em massa caso o vácuo de poder na Venezuela resulte em guerra civil.
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Prontidão Militar: O Exército Brasileiro pode elevar o nível de alerta em Pacaraima (RR) para garantir que o conflito não transborde para o território nacional.
O Fator Trump
O anúncio de Trump pegou a diplomacia brasileira de surpresa pela rapidez e agressividade. O presidente americano afirmou que a operação foi "bem-sucedida" e prometeu detalhes para as 13h (horário de Brasília) em Mar-a-Lago. O governo brasileiro aguarda esse pronunciamento para emitir uma nota oficial condenando ou reconhecendo a nova realidade política de Caracas.
🔴 O que está em jogo para o Brasil?
| Setor | Impacto Imediato |
| Energia | Possível instabilidade no fornecimento de energia para Roraima, que depende de linhões da Venezuela. |
| Economia | Flutuação no preço do petróleo e impacto no mercado de câmbio devido à instabilidade regional. |
| Diplomacia | Desafio à liderança regional do Brasil na América do Sul perante a força dos EUA. |