A Polícia Civil do Estado de Santa Catarina (PCSC) apresentou, em coletiva de imprensa promovida na manhã desta sexta-feira (30), na sede da Delegacia-Geral em Florianópolis, os detalhes da maior apreensão de cocaína já registrada na história do território catarinense e uma das maiores do país em uma única ação. A operação, desencadeada pela Delegacia de Combate às Drogas (DECOD) de Itajaí, culminou no confisco de 4.426,2 quilos (mais de 4,4 toneladas) de cocaína pura e na prisão em flagrante de seis cidadãos oriundos do Reino Unido.
O entorpecente estava oculto no interior de um galpão industrial localizado no município de Balneário Piçarras, no Litoral Norte catarinense. Segundo estimativas oficiais da Polícia Civil, o montante apreendido causou um prejuízo financeiro direto superior a R$ 450 milhões às organizações criminosas internacionais.
A entrevista coletiva foi conduzida pelo delegado-geral da PCSC, Marcelo Sampaio Nogueira; pelo delegado titular e responsável pelas investigações na DECOD de Itajaí, Eduardo Dallo; e pelo delegado regional de Polícia de Itajaí em exercício, Roney Pericles Gonçalves Alves.

Fotos: PCSC/Divulgação
Golpear o crime organizado e a especialização policial
Durante a apresentação dos resultados, o delegado-geral ressaltou o caráter histórico da ação e o impacto socioeconômico de retirar essa quantidade de entorpecentes de circulação.
"No dia 29 de outubro de 2026, a Polícia Civil de Santa Catarina fez história com a maior apreensão de cocaína já registrada no estado. Tudo indica ser também a maior apreensão de cocaína do país em uma única operação. São quase meio bilhão de reais em prejuízo para o narcotráfico, representando um duro golpe ao tráfico de drogas", declarou o delegado-geral Marcelo Sampaio Nogueira.
Nogueira destacou ainda que a DECOD de Itajaí foi criada há pouco mais de um ano como parte de uma estratégia de investimento e descentralização da inteligência policial. Para o comando da corporação, a operação demonstra a efetividade da criação de unidades especializadas voltadas exclusivamente ao desmantelamento de grandes redes de narcotráfico.
Um mês de investigação e monitoramento contínuo
As investigações tiveram início há cerca de 30 dias, quando os analistas de inteligência da DECOD de Itajaí identificaram movimentações atípicas e suspeitas em imóveis de Balneário Piçarras. A partir do cruzamento de dados, os agentes passaram a monitorar a rotina de veículos na região, com atenção especial a um furgão de cor branca que realizava trajetos repetitivos entre bairros residenciais e zonas logísticas.
O trabalho de campo permitiu correlacionar o furgão a um galpão isolado e a um grupo de estrangeiros. Inicialmente, as equipes identificaram cinco suspeitos atuando no transporte e logística. Durante as diligências de cerco, os policiais localizaram um sexto envolvido, que exercia a função de vigilante do imóvel.
De acordo com o delegado Eduardo Dallo, as 72 horas que antecederam o flagrante foram cruciais. Na quinta-feira (29), os policiais abordaram o furgão suspeito e, na sequência, adentraram o galpão para cumprir a vistoria.
"Foi um golpe gigantesco na narcotraficância. Foi emocionante o momento em que o policial encontrou a droga e, logo depois, um dos indivíduos confirmou que havia uma grande quantidade de entorpecentes no local", relatou o delegado Eduardo Dallo.
A carga de 4,4 toneladas de cocaína estava minuciosamente embalada em paletes protegidos por plástico industrial. No local, os investigadores identificaram um forte odor de substâncias químicas sintéticas, recurso utilizado pelos criminosos na tentativa de mascarar o cheiro característico do entorpecente e burlar eventuais fiscalizações com cães farejadores.
A operação contou com o auxílio do Núcleo de Operações com Cães (NOC) da PCSC. Ainda na quinta-feira, peritos da Polícia Científica de Santa Catarina realizaram laudos preliminares nas amostras coletadas, confirmando 100% de pureza e reagente positivo para cocaína.
Logística portuária e desdobramentos
A proximidade do galpão com o Complexo Portuário do Rio Itajaí-Açu é considerada um ponto central para a sequência das investigações. A principal linha de apuração trabalha com a hipótese de que a droga seria inserida clandestinamente em contêineres marítimos com destino ao continente europeu.
Os seis cidadãos britânicos foram autuados em flagrante pelos crimes de tráfico internacional de drogas e associação para o tráfico. A Polícia Civil já encaminhou ao Poder Judiciário o pedido de conversão das prisões em flagrante para prisões preventivas, além de acionar os canais de cooperação internacional e a Polícia Federal para checar o histórico criminal dos envolvidos em seus países de origem.
Ao encerrar a coletiva, o delegado regional de Itajaí, Roney Pericles Gonçalves Alves, elogiou a dedicação da equipe de investigadores:
"Coisas grandes se constroem depois de muitos esforços, e só o sacrifício conduz à vitória", concluiu o delegado.