A jornalista e repórter Déborah Sena, da rádio AuriVerde Brasil, foi surpreendida e abordada por uma equipe da Polícia Legislativa enquanto realizava uma transmissão ao vivo nas dependências externas do Congresso Nacional, em Brasília. A interrupção abrupta do trabalho jornalístico ocorreu nas proximidades da entrada do Anexo IV da Câmara dos Deputados, área de livre circulação contígua ao Senado Federal.
O caso ganhou rápida repercussão nas redes sociais e entre profissionais da imprensa, levantando debates sobre os limites das abordagens de segurança e o livre exercício do jornalismo em espaços públicos federais.
A abordagem durante a transmissão ao vivo
De acordo com o relato e as imagens da própria transmissão, a repórter cobria a movimentação política do dia quando uma viatura da Polícia Legislativa se aproximou do local onde a equipe estava posicionada. Agentes armados desembarcaram do veículo e interromperam a fala da jornalista, questionando se ela possuía autorização prévia para a gravação naquele ponto e exigindo a exibição ostensiva do crachá de credenciamento e identificação profissional.
A transmissão ao vivo acabou sendo cortada momentos após a intervenção dos policiais.
Posicionamento da jornalista e alegação de intimidação
Após o ocorrido, Déborah Sena manifestou-se sobre o episódio, explicando que solicitou cordialmente ao agente que aguardasse escassos segundos para que pudesse encerrar a entrada ao vivo antes de apresentar os documentos. No entanto, segundo a repórter, o policial recusou o pedido e manteve a cobrança imediata.
A jornalista ressaltou que reconhece e respeita a importância dos protocolos de segurança institucional e do controle de acesso no complexo do Congresso Nacional, mas classificou o tom e o formato da abordagem como desproporcionais:
"Embora compreenda os procedimentos de segurança da Casa, a forma como a abordagem ocorreu — com viatura e agentes armados interrompendo uma transmissão ao vivo em área externa — configurou uma clara forma de intimidação e obstáculo ao trabalho livre da imprensa", avaliou a profissional.
Reações de entidades e veículos de imprensa
O episódio gerou indignação imediata entre associações de classe e veículos de comunicação, que emitiram notas formais de repúdio à conduta dos agentes da Polícia Legislativa.
As entidades destacaram que o trabalho de reportagem em áreas externas e de uso comum do Poder Legislativo é garantido pela Constituição Federal e essencial para a transparência pública. Em manifestações conjuntas, classificaram a interrupção sumária do link ao vivo como uma atitude arbitrária com contornos de cerceamento e censura à atividade jornalística.
Até o fechamento desta edição, a Mesa Diretora da Câmara dos Deputados e o Departamento de Polícia Legislativa (Depol) não haviam divulgado nota oficial justificando os motivos da abordagem no local.