Alcolumbre articula anistia a Bolsonaro como moeda de troca para a Presidência do Senado, mas enfrenta resistência da direita

Senador do União Brasil tenta neutralizar oposição e atrair a bancada do PL acenando com indulto ou anistia ao ex-presidente; conservadores mantêm candidatura própria de Rogério Marinho.

A disputa pelo comando do Congresso Nacional para o biênio 2027-2028 ganhou contornos dramáticos no Senado Federal. O senador Davi Alcolumbre (União-AP), favorito na corrida para a Presidência da Casa, colocou o ex-presidente Jair Bolsonaro no centro de uma complexa negociação política. O parlamentar amapaense estuda pautar projetos de anistia ou indulto humanitário como "moeda de troca" para atrair o apoio formal ou dissidências da bancada da direita e do Partido Liberal (PL).

A estratégia de Alcolumbre e o discurso de "pacificação"

A movimentação de Alcolumbre visa consolidar uma maioria esmagadora e inviabilizar candidaturas concorrentes. Para isso, o senador tem oferecido espaço privilegiado na pauta legislativa para pautas de forte apelo junto ao eleitorado conservador, focando na situação jurídica de Jair Bolsonaro e em medidas para estancar investigações contra aliados do ex-presidente.

  • Neutralização da oposição: Ao acenar com a anistia, Alcolumbre busca desarmar a oposição e frear propostas mais radicais contra integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF), como pedidos de impeachment de ministros.

  • Sinalização de harmonia: Nos bastidores de Brasília, o senador defende que o gesto funcionaria como um aceno de "pacificação nacional" e harmonia institucional entre os Três Poderes.

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  • Concessões e limites: Interlocutores de Alcolumbre sugerem um desenho legislativo que concederia o perdão judicial ou a redução de eventuais penas criminais a Bolsonaro, mas preservando sua inelegibilidade — um ponto médio para tentar não romper pontes com o Palácio do Planalto e o STF.

A reação da Direita: Rejeição e manutenção de candidatura própria

Apesar da investida, a resposta de setores da direita e do núcleo duro bolsonarista foi marcada por forte ceticismo e rejeição ao que classificam como "barganha política".

  • Rejeição ao plano: Lideranças da oposição afirmaram que não aceitarão usar a figura de Jair Bolsonaro como mera moeda de troca para uma eleição interna do Senado, preferindo manter a prioridade em uma anistia ampla e irrestrita.

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  • Aposta em Rogério Marinho: O PL reiterou a intenção de manter a candidatura própria do senador Rogério Marinho (PL-RN) à Presidência do Senado. O nome da senadora Tereza Cristina (PP-MS) também corre por fora como alternativa de consenso para o bloco conservador.

  • Memória de compromissos passados: Parlamentos da bancada oposicionista relembram episódios anteriores em que acordos firmados por Alcolumbre não teriam sido cumpridos. Além disso, avaliam que a nova composição do Senado a partir de 2027 terá musculatura política suficiente para impor sua própria pauta sem depender de concessões do atual favorito.

Os entraves jurídicos e o voto secreto

A estratégia de Alcolumbre também esbarra em complexidades constitucionais. Juristas e parlamentares da base governista lembram que o indulto é uma prerrogativa exclusiva do Presidente da República (Luiz Inácio Lula da Silva), editado por meio de decreto presidencial. Cabe ao Congresso Nacional a apreciação de projetos de anistia, que dependem de aprovação nas duas Casas legislativas e estão sujeitos ao veto presidencial e ao crivo de constitucionalidade pelo STF.

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A despeito da resistência pública da cúpula do PL, Davi Alcolumbre aposta no caráter secreto da votação para a Mesa Diretora. O senador confia que a promessa de destravar pautas de interesse da direita garantirá votos silenciosos e defecções dentro do próprio PL e de partidos aliados no dia da eleição.

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