BELO HORIZONTE – O clima de insegurança tomou conta do Aglomerado da Serra, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, após a circulação de um comunicado atribuído a grupos criminosos locais. A mensagem, que se espalhou rapidamente pelas redes sociais nesta sexta-feira (24), estabelece regras rígidas para quem circula pela comunidade, especialmente motoristas de aplicativo e moradores, após um homicídio registrado na noite anterior.
As "Regras de Circulação" impostas
O texto, publicado originalmente em páginas comunitárias, foca principalmente na área conhecida como Pau Comeu. Entre as exigências citadas, motoristas de Uber e outras plataformas devem:
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Abaixar os vidros ao entrar no morro;
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Ligar a luz interna do veículo;
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Manter os faróis baixos;
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Veículos com vidros escuros ("lacrados") são ameaçados diretamente no texto: "Vai entrar na bala", diz o comunicado.
A mensagem justifica as medidas alegando um cenário de "guerra total" e sem previsão de término, orientando ainda que os próprios moradores avisem os motoristas sobre as regras para evitar o que chamam de "constrangimentos".
Medo e Cancelamentos: O impacto no transporte
O reflexo da ameaça foi imediato no setor de transporte por aplicativo. Relatos colhidos em redes sociais indicam uma onda de cancelamentos de corridas destinadas à região da Serra. Motoristas relatam que o risco de vida sobrepõe qualquer ganho financeiro.
"Agora nenhum Uber vai aceitar as corridas. Melhor coisa é não colocar a vida em risco", comentou um usuário em uma rede social. Enquanto isso, moradores que dependem do serviço para trabalhar ou retornar para casa temem ficar isolados. "Favela tem 99% de pessoas trabalhadoras, agora o morador vai ter que ir de ônibus porque o serviço essencial parou", lamentou outra moradora.
PM nega "Clima de Guerra" e intensifica operações
Em resposta à repercussão, a Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) agiu rapidamente para tentar tranquilizar a população e desmentir a validade das ameaças. O coronel Flávio Santiago, diretor de Comunicação Organizacional, afirmou que comunicados desse tipo têm o único objetivo de desestabilizar a paz social na comunidade.
"A Polícia Militar está com operação ininterrupta no Aglomerado da Serra. Esse tipo de informação é apenas no intuito de desestabilizar a própria comunidade. Esse tipo de situação não procede", garantiu o coronel.
Reforço de Tropas Especializadas
O policiamento na região foi reforçado com unidades de elite. Segundo o capitão Rafael Veríssimo, a operação "Presença que Protege" conta com o apoio de unidades de peso para sufocar qualquer tentativa de conflito entre gangues rivais. Estão atuando na área:
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Rotam (Rondas Táticas Metropolitanas);
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Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais);
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Gepar (Grupamento Especializado em Policiamento em Áreas de Risco);
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Bepe (Batalhão de Polícia de Eventos).
A PM reforça que qualquer atividade suspeita deve ser denunciada via 190 ou pelo Disque-Denúncia 181, e garante que a resposta aos confrontos será imediata para manter a segurança dos moradores e trabalhadores que acessam o aglomerado.